Maurice Tardif afirma que o papel do professor de ensino superior se constrói na prática, pois
- A)o docente competente é aquele que adota a máxima segundo a qual o verdadeiro conhecimento provém de uma única fonte de conhecimento.
Errada, porque Tardif rejeita a ideia de uma única fonte de conhecimento e defende a pluralidade dos saberes docentes.
- B)o saber docente deve considerar o conhecimento como uma construção coletiva que decorre de práticas sociais e deve ser voltada a ela.
Certa, pois expressa a noção de que o saber docente é construído coletivamente nas práticas sociais e se orienta por elas.
- C)os saberes relacionados aos conteúdos das áreas de conhecimento são os mais importantes para as práticas de ensino.
Errada, porque os conteúdos da área são importantes, mas não são os únicos nem os mais determinantes para a prática docente.
- D)basta ter uma formação sustentada pelos aportes das ciências da educação para se tornar um professor de excelência.
Errada, porque a formação em ciências da educação ajuda, mas não basta sozinha para formar um professor excelente, já que a prática também é central.
- E)é embasado no currículo, que é o único fator determinante na construção de um bom professor, por ser socialmente produzido e selecionado pela instituição de ensino.
Errada, porque o currículo influencia a docência, mas não é o único fator determinante na construção do bom professor.
Gabarito: B
Maurice Tardif é um dos autores mais cobrados quando o tema é saber docente. A ideia central dele é simples e muito importante: ensinar não é só repetir teoria pronta, porque o professor constrói sua identidade profissional na prática, no contato com alunos, com a escola, com a realidade e com os diferentes saberes que usa para ensinar. Para Tardif, o saber do professor não nasce de uma fonte única. Ele é plural: vem da formação acadêmica, das disciplinas que domina, da experiência cotidiana e também do saber produzido na prática social e escolar. Por isso, o professor de ensino superior não vira bom professor apenas por saber muito de conteúdo ou por ter lido muitos autores. Ele precisa articular conhecimento, experiência e relação com a realidade. É exatamente isso que a alternativa B traduz: o saber docente deve considerar o conhecimento como uma construção coletiva, ligada às práticas sociais e orientada por elas. Em outras palavras, ensinar é um trabalho social, não um exercício isolado de erudição. O professor aprende, ajusta, testa e reconstrói sua prática o tempo todo. As demais alternativas erram porque tratam o professor como alguém que depende de uma única fonte, de um único tipo de saber ou apenas de formação teórica. Para Tardif, isso é pouco. O bom professor não é o que acumula diplomas como troféus, mas o que transforma saberes em prática viva e significativa.