No estímulo de movimentos livres como componente da relação cuidar e educar de crianças pequenas, é correto afirmar que
- A)o adulto deve conter gestos e falas, e estar aberto a observar a capacidade das crianças.
Certa, porque o adulto deve observar, conter excessos e respeitar a capacidade da criança, sem interferir indevidamente no movimento livre.
- B)o adulto deve interferir diretamente na sequência dos movimentos da criança, de modo a garantir segurança.
Errada, porque intervir diretamente na sequência dos movimentos tira a autonomia da criança e contraria a proposta de exploração livre.
- C)o adulto deve elogiar constantemente a criança, para que esta busque aprovação.
Errada, porque o foco não é reforçar busca de aprovação constante, mas favorecer iniciativa, confiança e exploração espontânea.
- D)a presença do adulto é dispensável para a realização de movimentos pela criança, pois trata-se, nesse caso, de um momento de liberdade.
Errada, porque a presença do adulto não é dispensável na Educação Infantil; ela é necessária como garantia de segurança e mediação do ambiente.
- E)deve-se prover instrumentos de apoio como almofadas, bebê conforto e andador para exploração.
Errada, porque instrumentos como andador podem prejudicar o desenvolvimento motor e não são indicados como apoio para exploração livre.
Gabarito: A
Na Educação Infantil, a relação entre cuidar e educar não é separar a criança em “hora de brincar” e “hora de mandar”, mas criar condições para que ela explore o corpo com segurança, autonomia e respeito ao seu ritmo. Nos movimentos livres, o adulto não vira um fiscal de coreografia nem um “apontador de riscos” ansioso; ele observa, acompanha e organiza o ambiente para que a criança se mova com liberdade e proteção. É exatamente essa lógica que aparece no gabarito. O adulto deve conter gestos e falas no sentido de evitar excesso de interferência, mantendo uma postura atenta, discreta e sensível ao que a criança consegue fazer. Isso dialoga com as DCNEI (Resolução CNE/CEB nº 5/2009), que valorizam interações, brincadeiras e a garantia de experiências que respeitem os direitos de aprendizagem e desenvolvimento da criança, inclusive o direito de explorar movimentos de forma segura. Na prática, o papel do adulto é mais de mediador do ambiente do que de controlador do movimento. Ele observa, protege, incentiva sem sufocar e ajuda a criança a experimentar o próprio corpo com confiança. Em Educação Infantil, menos comando e mais escuta costumam ser a receita certa. As demais alternativas caem em armadilhas comuns: ou interferem demais, ou valorizam aprovação externa, ou tratam a presença adulta como dispensável, ou sugerem apoios inadequados para a exploração motora. Em concurso, quando a banca fala em cuidar e educar, pense sempre em autonomia com segurança, não em tutela excessiva nem em abandono.