É evidente que as políticas de ensino do espanhol no Brasil participam na construção do indivíduo como cidadão. Esse tema compreende, porém, uma série de questionamentos sobre, por um lado, a forma de considerar a cidadania e as políticas a ela relacionadas e, do outro, o ensino da língua. As formas de conduzir a cultura são tão importantes quanto às propostas didáticas. De acordo com as ideias do texto, para a construção do cidadão, é necessário levar em consideração, entre outros aspectos, as
- A)características psicológicos.
Errada, porque características psicológicas não são o foco do texto, que trata da relação entre cidadania, língua e cultura.
- B)psicologias sociais.
Errada, porque psicologias sociais não é a categoria central usada para explicar a construção do cidadão no enunciado.
- C)metodologias de aprendizagem.
Errada, porque metodologias de aprendizagem dizem respeito mais ao modo de ensinar do que ao debate sobre cidadania e cultura.
- D)linguísticas sociais.
Errada, porque linguísticas sociais pode se aproximar do tema da língua, mas não expressa o eixo principal do texto, que é cultural e político.
- E)políticas culturais.
Certa, porque o texto destaca que a formação do cidadão depende também da forma de conduzir a cultura, isto é, das políticas culturais.
Gabarito: E
A questão gira em torno da ideia de que a escola não ensina apenas conteúdo: ela também ajuda a formar o sujeito como cidadão. Isso significa que políticas educacionais, especialmente as ligadas ao ensino de línguas, não podem ser vistas de modo neutro ou isolado. Elas fazem parte de um projeto maior de sociedade, cultura e participação social. No texto, aparece bem essa ligação entre cidadania, ensino e forma de conduzir a cultura. Em outras palavras, não basta pensar só em método, técnica ou “como dar aula”. É preciso olhar também para o sentido cultural das políticas públicas. Afinal, a escolha do que ensinar e de como ensinar também comunica valores, identidades e pertencimento. Por isso, a alternativa correta é a que trata das políticas culturais. Elas dialogam diretamente com a construção do cidadão, porque influenciam a forma como a escola reconhece a diversidade, a língua, a cultura e a participação social. Em Pedagogia, especialmente em temas educacionais, a CESPE gosta desse olhar mais amplo: educação como prática social e política, e não só como transmissão de conteúdo. Se quiser um apoio teórico, essa visão conversa com a ideia de educação como direito e instrumento de formação para a cidadania prevista na Constituição Federal de 1988, art. 205, e com a LDB, que vincula educação ao pleno desenvolvimento da pessoa e ao preparo para o exercício da cidadania. Ou seja: formar cidadão passa também por escolhas culturais e educacionais.