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Pedagogia · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Pedagogia

Ao final do bimestre, na reunião do conselho de classe em determinada escola classe, Ana, professora do 3.º ano, estava preocupada com o processo de alfabetização do aluno Mateus. Ela relatou ao grupo de professores e da gestão escolar que ele poderia “perder o ano” devido às suas dificuldades, relacionadas tanto ao campo da leitura quanto da escrita. Em seguida, a coordenadora pedagógica perguntou a Ana sobre as estratégias de ensino adotadas por ela em sala de aula, até aquele momento, para que o grupo pudesse pensar em outras possibilidades. Ana ficou pensativa sobre sua forma de ensino e não conseguiu responder à pergunta, tendo permanecido em silêncio. Então, a coordenadora iniciou uma discussão com o grupo sobre a intencionalidade da prática pedagógica e de sua relação com a aprendizagem. Logo, pediu ajuda a Ana e aos colegas para listar no quadro algumas estratégias pedagógicas possíveis para o caso de Mateus. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.

Gabarito: D

Nesta questão, o ponto central é que dificuldade de aprendizagem nao deve ser tratada como culpa exclusiva do aluno, nem como algo que se resolve com rótulos apressados. Em pedagogia, sobretudo numa visão crítica e formativa, quando um estudante apresenta dificuldades, a escola precisa olhar para o conjunto: ensino, avaliação, metodologias, mediação e organização do trabalho pedagógico. A coordenadora agiu corretamente ao provocar a reflexão sobre a intencionalidade da prática pedagógica. Isso significa perguntar: o que foi ensinado, como foi ensinado, com quais estratégias, em que ritmo, com quais intervenções e quais evidências de acompanhamento foram feitas? Se a aprendizagem não aconteceu como esperado, o grupo precisa pensar em ajustes reais, e não só em repetir a mesma aula esperando milagre - pedagogicamente isso costuma dar no mesmo. Por isso, o gabarito é a letra D: a professora Ana, os demais colegas e a equipe escolar devem refletir sobre o trabalho pedagógico e buscar formas de superação das dificuldades de Mateus. A ideia está alinhada ao princípio de que a avaliação tem função diagnóstica e formativa, orientando intervenções pedagógicas. A LDB (Lei 9.394/1996) reforça a valorização do acompanhamento do rendimento escolar e da recuperação contínua e paralela, ou seja, a escola não deve apenas constatar o problema, mas agir para enfrentá-lo. Em resumo: quando um aluno aprende pouco, a pergunta madura não é apenas "qual é o defeito do aluno?", e sim "o que a escola pode fazer diferente para garantir aprendizagem?". Essa é a lógica que aparece na questão e que a banca quer cobrar.

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