O diálogo e a aproximação do currículo da geografia escolar com as práticas espaciais cotidianas mostram-se cada vez mais necessários diante da complexidade do mundo atual. Sendo assim, novos olhares sobre a cartografia e outras linguagens não científicas como os desenhos e jogos e sua inserção na prática pedagógica fazem-se essenciais para a construção de uma educação geográfica. Nunes, F. G. Ensino de Geografia: novos olhares e práticas. Dourados: UFGD, 2011. Com relação ao assunto descrito no texto precedente e às novas abordagens teóricas e metodológicas no ensino de geografia, assinale a opção correta.
- A)Em um desenho, a distribuição dos traços e das superfícies no espaço do papel constitui-se em linguagem cartográfica que indica concepções geográficas.
Certa, porque o desenho pode funcionar como representação cartográfica e revelar como o estudante organiza e compreende o espaço.
- B)Nas metodologias ativas o estudante é o sujeito que assume o papel central e, consequentemente, a importância do papel do professor é diminuída.
Errada, porque metodologias ativas valorizam o protagonismo do estudante sem diminuir o papel do professor, que continua essencial como mediador.
- C)Observar um instrutor realizando uma experiência estimula o ensino lúdico e o pensamento analítico do estudante.
Errada, porque observar uma demonstração pode ser útil, mas isso não define necessariamente ensino lúdico nem garante pensamento analítico.
- D)Ao desenhar uma paisagem, os estudantes constroem relações espaciais com base nas relações topológicas, que envolvem as noções de frente, atrás, direita, esquerda, em cima e em baixo.
Errada, porque as relações topológicas envolvem proximidade, separação, interioridade e contiguidade, não noções como direita, esquerda, frente e atrás.
- E)O trabalho de campo é uma metodologia de ensino considerada tradicional e passiva que acompanha a geografia desde a sua constituição como ciência moderna.
Errada, porque o trabalho de campo é uma metodologia ativa e investigativa, não passiva nem simplesmente tradicional.
Gabarito: A
Na geografia escolar, a cartografia não aparece só nos mapas prontos do livro. Ela também pode surgir em desenhos, maquetes, esquemas, jogos e outras linguagens que ajudam voce a representar o espaço vivido e a pensar relações espaciais. Isso dialoga com as abordagens mais recentes do ensino de geografia, que valorizam a construção do conhecimento a partir da experiência do estudante, sem abandonar o rigor conceitual. A ideia central do enunciado é justamente essa aproximação entre o currículo e as práticas espaciais cotidianas. Quando o aluno desenha um trajeto, uma paisagem ou a organização de um lugar, ele não está apenas "fazendo arte": está produzindo uma representação espacial, com escolhas de forma, posição, tamanho e relação entre elementos. Essa é uma leitura cartográfica do espaço, ainda que em linguagem não convencional. Por isso, a alternativa A está correta. Em um desenho, a forma como os traços e as superfícies se distribuem no papel pode expressar como o estudante percebe o espaço e até revelar concepções geográficas que ele está construindo. Em outras palavras, o desenho funciona como linguagem cartográfica e como instrumento de diagnóstico pedagógico. Esse olhar conversa com a tradição da educação geográfica crítica e com a Base Nacional Comum Curricular, que valoriza diferentes linguagens para compreender e representar o mundo. A cartografia escolar, aqui, não é só técnica: ela é também forma de pensar, interpretar e comunicar o espaço vivido.