No que se refere às teorias e concepções de currículo, as teorias críticas enfocam, além dos conceitos de ideologia e poder, também os conceitos de
- A)gênero, raça, etnia e multiculturalismo.
Errada, porque gênero, raça, etnia e multiculturalismo são temas mais associados às teorias pós-críticas do currículo.
- B)ensino, aprendizagem e avaliação.
Errada, porque ensino, aprendizagem e avaliação são preocupações mais ligadas à abordagem tradicional ou técnico-instrumental do currículo.
- C)classe social, currículo oculto, conscientização e resistência.
Certa, porque reúne conceitos centrais das teorias críticas, como classe social, currículo oculto, conscientização e resistência.
- D)identidade, subjetividade e cultura.
Errada, porque identidade, subjetividade e cultura são marcas mais fortes das teorias pós-críticas.
- E)planejamento, eficiência e objetivos.
Errada, porque planejamento, eficiência e objetivos são características clássicas das teorias tradicionais e tecnicistas.
Gabarito: C
As teorias de currículo ajudam a entender que currículo não é só uma lista neutra de conteúdos, mas uma escolha política sobre o que ensinar, para quem e com quais efeitos. Nas teorias críticas, essa discussão fica mais afiada: elas olham para ideologia, poder e para as relações sociais que atravessam a escola, mostrando que o currículo também pode reproduzir desigualdades. É aquela ideia de que o “conteúdo” não entra sozinho na sala de aula, ele entra com interesses, valores e disputas. Por isso, quando a questão fala em teorias críticas, ela está pensando em conceitos como classe social, currículo oculto, conscientização e resistência. Esses termos aparecem muito em autores como Michael Apple, Henry Giroux e Paulo Freire, que analisam como a escola pode tanto manter quanto questionar relações de dominação. O currículo oculto, por exemplo, é tudo aquilo que se aprende sem estar escrito oficialmente, como hierarquias, comportamentos e expectativas sociais. A alternativa C está correta porque reúne exatamente esse vocabulário crítico: classe social aponta para a estrutura social e suas desigualdades; currículo oculto mostra os mecanismos invisíveis da escola; conscientização vem da tradição freireana; e resistência indica que estudantes e professores não são passivos diante do sistema. Em resumo, teoria crítica não é sobre “como organizar aula bonitinha”, mas sobre como o currículo participa das disputas sociais. Para fechar, vale lembrar a diferença: teorias tradicionais costumam se preocupar com eficiência, objetivos e controle; já as pós-críticas ampliam o debate para identidade, diferença, gênero, raça e cultura. Então, nesta questão, a banca quer justamente separar o olhar crítico clássico do olhar mais tradicional ou do olhar pós-crítico.