Em relação à alfabetização e ao letramento, assinale a opção correta.
- A)As hipóteses elaboradas pelas crianças em seu processo de construção de conhecimento da leitura não são idênticas em uma mesma faixa etária.
Correta, porque as crianças elaboram hipóteses diferentes sobre a escrita, mesmo tendo a mesma idade.
- B)Na aprendizagem da leitura e escrita, as crianças cometem “erros”, os quais são vistos como faltas ou equívocos e devem ser corrigidos, pois podem prejudicar a evolução no processo de aprendizagem das crianças.
Errada, pois os erros infantis podem indicar hipóteses de construção do conhecimento e não devem ser vistos apenas como faltas.
- C)Escrever com “erros” não permite às crianças avançarem, uma vez que só escrevendo corretamente é possível desenvolver o letramento.
Errada, porque a criança pode avançar justamente ao escrever com hipóteses próprias, não só ao escrever corretamente desde o início.
- D)A atividade de leitura em sala de aula exige a realização de atividades subsequentes, como o desenho dos personagens, a resposta de perguntas sobre a leitura e a dramatização das histórias.
Errada, pois a leitura em sala não precisa obrigatoriamente de atividades subsequentes como desenho ou dramatização.
- E)Linguagem oral não deve ser tida como conteúdo, não exige o planejamento da ação pedagógica, pois as situações de fala, escuta e compreensão da linguagem acontecem no cotidiano da sala de aula e influenciam de maneira não intencional a leitura e escrita.
Errada, porque a linguagem oral também é conteúdo escolar e exige planejamento pedagógico intencional.
Gabarito: A
Na Educação Infantil e nos anos iniciais, é essencial entender que alfabetização e letramento caminham juntos, mas não são a mesma coisa. Alfabetizar é ensinar o sistema de escrita alfabética; letrar é inserir a criança nas práticas sociais de leitura e escrita, fazendo com que ela use a linguagem escrita em contextos reais. A teoria da psicogênese da língua escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, mostra que a criança não aprende decorando letras como se fosse um “copiar e colar” da mente. Ela formula hipóteses sobre como a escrita funciona, testa essas hipóteses e avança aos poucos. Por isso, crianças da mesma idade podem estar em níveis diferentes de compreensão da leitura e da escrita. É justamente aí que a alternativa A acerta: as hipóteses elaboradas pelas crianças não são idênticas mesmo dentro de uma mesma faixa etária. Cada criança constrói seu conhecimento de forma singular, conforme suas interações, experiências e mediações pedagógicas. As demais alternativas erram porque tratam o erro como fracasso, como se ele devesse ser simplesmente eliminado. Na perspectiva construtivista, o erro é um sinal de pensamento em movimento, não um vilão. A intervenção do professor deve acolher, observar e propor desafios, sem transformar a aprendizagem em caça aos deslizes.