Questionar sobre o que os alunos deveriam saber ao concluir a educação básica faz parte do julgamento sobre determinada escola ser boa ou não e relaciona-se diretamente à ótica da concepção de currículo que embasa esse questionamento. No que se refere a esse tema, assinale a opção correta.
- A)Eficiência e eficácia são termos da área de gestão que não podem ser associados às teorias de currículo.
Errada: eficiência e eficácia são, sim, conceitos ligados às teorias curriculares de matriz técnica e à gestão da educação.
- B)A visão de currículo como instrução tem suas origens no taylorismo.
Certa: a visão de currículo como instrução se relaciona à racionalidade técnica e tem origem no taylorismo, com foco em eficiência e controle.
- C)O currículo, em uma concepção liberal, valoriza a teoria em detrimento da prática.
Errada: numa concepção liberal, o currículo não se organiza necessariamente contra a prática; essa oposição teoria-prática não define, por si, o liberalismo curricular.
- D)A eficiência das escolas pode ser mensurada pela teoria de currículo que sustenta seu projeto pedagógico.
Errada: a eficiência escolar pode ser associada à teoria curricular que orienta o projeto pedagógico, mas a frase é ampla demais e não identifica corretamente a relação conceitual cobrada.
- E)Currículo e instrução são termos independentes e desassociados das práticas docentes em sala de aula.
Errada: currículo e instrução não são independentes; na prática docente, eles se articulam diretamente na organização do ensino.
Gabarito: B
A ideia central aqui é entender que currículo não é só uma lista de conteúdos. Dependendo da teoria adotada, ele pode ser visto como seleção de saberes, como organização do ensino, como prática social ou até como instrumento de controle e eficiência. Por isso, quando uma escola pergunta o que o aluno deve saber ao final da educação básica, ela está revelando uma concepção de currículo e também de escola "boa": aquela que entrega resultados esperados. Na tradição mais técnica, muito ligada ao taylorismo e ao pensamento da administração científica, o currículo passou a ser tratado como instrução planejada, com objetivos claros, etapas definidas e foco em eficiência. A lógica é parecida com linha de produção: definir o que ensinar, como ensinar e como medir se foi aprendido. É exatamente esse o ponto da alternativa B. Esse olhar aparece com força na chamada abordagem tecnicista do currículo, influenciada por autores como Bobbitt e Tyler, que valorizam organização racional, objetivos comportamentais e avaliação de resultados. Em concurso, quando surgir a expressão "currículo como instrução" com cara de gestão e controle, pense imediatamente nessa matriz técnica e no taylorismo por trás dela. Então, o gabarito B está correto porque a noção de currículo como instrução nasce dessa lógica de eficiência e padronização própria do taylorismo, que marcou profundamente a teoria curricular tecnicista.