Na prática pedagógica, a dança e as atividades rítmicas e expressivas devem ser abordadas também em sua dimensão conceitual, de modo que o estudante tenha a oportunidade de conhecer as diversas manifestações dançantes pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro e contextualizá-las. Para que isso ocorra, é importante que o professor de educação física
- A)informe as várias manifestações da cultura, nos diferentes contextos e em diferentes épocas, sem, entretanto, discutir questões de gênero, como, por exemplo, a ideia de que homem não dança.
Errada, porque reproduz preconceito de gênero ao sugerir que nao se deve discutir a ideia de que homem nao dança.
- B)proponha discussão acerca das danças expostas pela mídia para a formação do senso crítico de que dançar é mais do que copiar coreografias prontas, ou seja, é também se deixar conduzir pelos estímulos sonoros e pela liberdade dos movimentos.
Certa, pois incentiva reflexão crítica sobre as danças da mídia e entende a dança como expressão e nao apenas cópia de coreografias.
- C)cultive a cultura corporal de movimento por meio da cultura popular, reforçando a concepção de que dançar é uma habilidade que requer determinadas características corporais favoráveis.
Errada, porque associa a dança a características corporais favoráveis, reforçando uma visão excludente e determinista.
- D)apresente exemplos de manifestações da cultura, nos diferentes contextos, em diferentes épocas (danças rituais, sagradas, comemorativas, circulares etc.), esclarecendo que existe um rigor técnico a ser seguido.
Errada, porque valoriza a contextualização histórica, mas erra ao impor a ideia de que há um rigor técnico obrigatório para todas as manifestações.
- E)esclareça que, de fato, existem biótipos e etnias que favorecem as habilidades rítmicas como a dança, reforçando a importância de se criar um estilo padrão para caracterizar cada grupo cultural.
Errada, porque sustenta estereótipos biológicos e culturais, como se biótipo e etnia definissem a capacidade de dançar.
Gabarito: B
A dança, na Educação Física, nao deve aparecer como simples repetição de passos. Ela precisa ser ensinada também como conhecimento: seus sentidos, seus contextos, suas origens e os modos como cada manifestação faz parte da cultura de um povo. Isso combina com a ideia de cultura corporal de movimento, muito presente nos documentos curriculares, como a BNCC, que valoriza a compreensão crítica das práticas corporais. Quando o enunciado fala em conhecer as diversas manifestações dançantes do patrimônio cultural brasileiro e contextualizá-las, ele está pedindo exatamente isso: olhar para danças rituais, sagradas, comemorativas, circulares, urbanas, midiáticas e tantas outras, entendendo o que elas expressam social e historicamente. Ou seja, nao basta executar a coreografia; é preciso entender o que ela comunica. A dança vira conteúdo de leitura de mundo, e nao só de movimento. Por isso o gabarito é a alternativa B. Ela propõe discutir as danças veiculadas pela mídia para desenvolver senso crítico e mostra que dançar é mais do que copiar passos prontos. Essa ideia está alinhada com uma prática pedagógica mais crítica e inclusiva, que valoriza a expressão corporal, a autonomia e a diversidade cultural, sem reduzir a dança a um padrão único. As alternativas erradas caem em armadilhas bem conhecidas: preconceito de gênero, elitização da técnica, determinismo corporal e estereótipos sobre biótipo ou etnia. Em educação física escolar, a dança deve ampliar repertórios e combater rótulos, nao reforçá-los.