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Pedagogia · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Na obra Ensino Religioso: construção de uma proposta, João Décio Passos (2007, p. 54) sistematiza a questão do ensino religioso no Brasil a partir de modelos de ensino. Segundo o autor, o modelo catequético é o mais antigo e relaciona-se, sobretudo, a contextos em que a religião gozava de hegemonia na sociedade, embora ainda sobreviva em muitas práticas atuais que continuam apostando nessa hegemonia, utilizando-se, por sua vez, de métodos modernos. O modelo teológico constrói-se no esforço de diálogo com a sociedade plural e secularizada e sobre bases antropológicas. O último modelo, ainda em construção, situa-se no âmbito das ciências da religião e fornece referências teóricas e metodológicas para o estudo e o ensino da religião como disciplina autônoma e plenamente inserida nos currículos escolares. Por diversas razões, o ensino religioso ainda precisa superar obstáculos, e a formação docente não pode prescindir do modelo de ensino e da metodologia a ser aplicada. Entre os modelos elencados por Passos, é correto afirmar que o modelo

Gabarito: D

A questão gira em torno dos modelos de ensino religioso sistematizados por João Décio Passos: catequético, teológico e das ciências da religião. O modelo catequético é marcado por proselitismo e pela lógica de transmissão de uma fé específica, algo que combina com contextos de hegemonia religiosa. Já o modelo teológico tenta dialogar com a sociedade plural, mas ainda parte de uma base confessional. Por fim, o modelo das ciências da religião é o mais recente e propõe estudar a religião como fenômeno humano e social, com autonomia científica e respeito à diversidade. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Quando fala em cosmovisão transreligiosa, a ideia é ultrapassar uma tradição religiosa isolada e buscar elementos de análise comuns às religiões, sem fazer catequese nem converter ninguém. Esse modelo dialoga com a sociedade secular e plural, o que combina com a escola pública laica e com o tratamento não confessional do ensino religioso. Na prática, isso conversa com a Constituição Federal, art. 210, §1º, que prevê o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental, de matrícula facultativa, e com a lógica de separação entre Estado e religião. A Lei de Diretrizes e Bases, no art. 33, também reforça que o ensino religioso deve respeitar a diversidade cultural religiosa do Brasil, sem proselitismo. Em resumo: nada de aula para "converter"; a ideia é compreender a religião como objeto de estudo.

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