Ao assumir a direção de uma escola, a nova diretora fez uma consulta à comunidade escolar para identificar qual seria seu papel neste local. Nessa situação hipotética, caso a nova diretora adote a sugestão
- A)de um grupo de docentes, e prescreva as funções de cada um dos integrantes da escola, por meio de normas e procedimentos administrativos, essa medida caracterizará o exercício da função direcional de forma colegiada.
Errada: prescrever funções por normas e procedimentos administrativos descreve uma lógica burocrática e centralizadora, não uma direção colegiada.
- B)de um grupo de pais, para que sua gestão conte com uma equipe que inclua a participação de docentes, estudantes e pais, tal medida caracterizará uma atuação direcional democrática-participativa.
Certa: a inclusão de docentes, estudantes e pais na equipe expressa gestão democrática-participativa, com atuação conjunta dos segmentos escolares.
- C)de um grupo de docentes, no sentido de confiar na participação direta e por igual de todos os membros da instituição, sem se preocupar com o exercício de autoridade e as formas mais sistematizadas de organização e gestão, tal medida constituirá o pilar de uma gestão técnico-científica.
Errada: confiar na participação de todos sem autoridade nem organização lembra uma visão espontaneísta, não a gestão técnico-científica.
- D)de estudantes do grêmio estudantil, no sentido de que sua gestão foque nas práticas organizativas para a construção social com base nas experiências subjetivas e nas interações sociais, isso configurará uma gestão colegiada.
Errada: práticas organizativas baseadas em experiências subjetivas e interações sociais remetem mais à concepção interpretativa, e não à gestão colegiada.
- E)de um grupo de pais, docentes e estudantes, para que ela crie um conselho de escola, a nova gestão se dará com base em uma concepção interpretativa.
Errada: a criação de conselho escolar com participação de pais, docentes e estudantes aponta para gestão democrática, não para concepção interpretativa.
Gabarito: B
A questão gira em torno dos estilos de gestão escolar e de como a escola organiza a participação da comunidade. Em concurso, o caminho mais seguro é lembrar que gestão democrática-participativa envolve colaboração real de docentes, estudantes, pais e demais segmentos, com tomada de decisão compartilhada e construção coletiva do projeto escolar. Essa ideia dialoga com a Constituição Federal, art. 206, VI, e com a LDB, art. 14, que tratam da gestão democrática do ensino público. Na gestão democrático-participativa, a direção não age sozinha nem apenas executa normas prontas. Ela articula pessoas, escuta a comunidade e cria instâncias de participação, como conselhos escolares e colegiados, para que a escola funcione com corresponsabilidade. É uma gestão que valoriza o diálogo, a cooperação e a participação de vários segmentos, sem abrir mão da coordenação da direção. Por isso o gabarito é a letra B: ao adotar a sugestão de um grupo de pais para compor uma equipe com docentes, estudantes e pais, a diretora está montando uma gestão com participação plural e compartilhada, característica típica da atuação direcional democrática-participativa. A banca costuma cobrar exatamente essa diferenciação entre gestão participativa e modelos mais centralizados ou mais burocráticos. Fique atento: nem toda participação vira gestão democrática-participativa automaticamente. O que define essa abordagem é a presença de decisões coletivas e de participação efetiva dos diferentes atores da escola, e não apenas a existência formal de grupos ou comissões.