Acerca dos elementos e da estrutura do fenômeno religioso, assinale a opção correta.
- A)O primeiro passo para a elaboração de doutrinas é a formulação de um corpo escriturístico que é entendido, afirmado e vivenciado como sendo uma criação exclusiva dos sacerdotes e não uma “revelação” da divindade ou das divindades.
Errada, porque o corpo escriturístico não nasce como criação exclusiva de sacerdotes sem relação com revelação, e a redação das doutrinas não segue essa lógica invertida.
- B)O sagrado é um elemento de qualidade absolutamente especial, que se coloca fora de tudo aquilo que é chamado de racional, constituindo assim algo narrável, descritível, dizível.
Errada, porque o sagrado não é algo "fora do racional" e, ao mesmo tempo, narrável; a frase mistura ideias opostas de modo incoerente.
- C)O símbolo é o nível mais imediato e elementar da comunicação da experiência religiosa. Há no símbolo sempre uma unicidade de sentido, ou melhor, uma única forma de interpretá-lo.
Errada, porque o símbolo não tem unicidade de sentido, já que sua força está justamente na abertura para múltiplas interpretações.
- D)Mitos são uma forma de linguagem privilegiada para a comunicação de elementos de conteúdo da experiência religiosa. O verdadeiro nos mitos não é o que eles contam, mas o seu conteúdo, considerado vivo e verdadeiro pelas pessoas e comunidades que o aceitam como tal.
Certa, porque o mito é uma linguagem que comunica a experiência religiosa e seu valor está no sentido vivido pela comunidade, não apenas no enredo literal.
- E)A experiência religiosa original necessita ser comunicada para existir. Nas religiões formam-se conjuntos de textos escritos com uma sistematização lógica e elaborada de normas e diretrizes que são denominadas de ritos.
Errada, porque a experiência religiosa se comunica por linguagem, símbolos e narrativas, enquanto os conjuntos de normas e diretrizes correspondem mais à doutrina, e ritos são práticas, não textos.
Gabarito: D
O fenômeno religioso costuma ser estudado por seus elementos de comunicação e organização: símbolo, mito, rito, doutrina, texto sagrado e experiência do sagrado. A ideia central é que a vivência religiosa não fica só na cabeça ou no sentimento individual: ela ganha linguagem, imagens, narrativas e práticas coletivas. É por isso que símbolos, mitos e ritos ajudam a tornar comunicável algo que, em tese, é profundo e transcendente. O símbolo é uma forma de expressar o sagrado por meio de algo que aponta para além de si mesmo, e por isso costuma admitir mais de um sentido. Já o mito não deve ser lido como "mentira" ou simples invenção, mas como narrativa que comunica valores, origens e sentidos vividos por uma comunidade. Em religião, o mito não se reduz ao fato bruto narrado; importa o significado que aquela narrativa assume para quem crê. A doutrina é a sistematização racional de crenças, enquanto o rito é a prática organizada, repetida e carregada de sentido. Na leitura clássica da fenomenologia da religião, há uma passagem da experiência vivida para formas simbólicas, narrativas e normativas que estruturam a tradição religiosa. Por isso, a alternativa D está correta: os mitos funcionam como linguagem privilegiada para comunicar conteúdos da experiência religiosa, e o que importa neles é o sentido vivo e verdadeiro para a comunidade que os acolhe. As demais trocam conceitos entre si ou trazem definições invertidas, o que é um prato cheio para a banca CESPE/CEBRASPE.