Determinada escola da rede de ensino do Paraná que oferece atendimento educacional especializado adotou a plataforma Google Classroom para dar continuidade às aulas durante o período de pandemia da covid-19. Carla, uma aluna diagnosticada com transtorno global de desenvolvimento (TGD), matriculada em uma sala de recursos multifuncionais, tem demonstrado dificuldades de adaptar-se à plataforma. Nessa situação hipotética, caberá ao professor da sala de recursos multifuncionais oferecer atendimento educacional especializado à aluna. Nesse contexto, ele deverá
- A)considerar a frequência na sala de recurso multifuncional apenas se Carla comprovar a execução de atividades impressas.
Errada, porque a frequência no AEE não depende de comprovação de execução de atividades impressas e não pode ser condicionada dessa forma.
- B)disponibilizar orientações e atividades que atendam as singularidades de Carla.
Certa, porque o AEE deve oferecer orientações e atividades adequadas às necessidades e singularidades da aluna.
- C)assegurar a proposta da educação bilíngue no atendimento educacional especializado.
Errada, porque educação bilíngue é uma proposta voltada, em regra, aos estudantes surdos, não ao caso descrito.
- D)centralizar as atividades pedagógicas, preferencialmente, nas disciplinas em que Carla apresentar dificuldades de aprendizado.
Errada, porque o AEE não deve centralizar as ações apenas nas disciplinas de maior dificuldade, mas atuar de forma complementar e focada nas barreiras de aprendizagem.
- E)utilizar especificamente a ferramenta Google Forms para a interação com Carla.
Errada, porque o professor não fica limitado a uma ferramenta específica; ele pode usar diferentes recursos e plataformas conforme a necessidade da estudante.
Gabarito: B
O atendimento educacional especializado (AEE) existe para complementar ou suplementar a escolarização, não para repetir a aula comum nem para virar um “pacote padrão” para todo mundo. A ideia central é olhar para as necessidades específicas do estudante e remover barreiras de aprendizagem e participação. Por isso, na sala de recursos multifuncionais, o foco é adaptar estratégias, materiais, recursos de acessibilidade e orientações de acordo com as singularidades da aluna. Na situação da Carla, que apresenta TGD e dificuldade de adaptação à plataforma digital, o professor do AEE deve organizar orientações e atividades que façam sentido para o perfil dela, podendo usar recursos variados, mediação mais estruturada, apoio visual, rotinas claras e outras formas de acessibilidade pedagógica. Isso está alinhado com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e com a Resolução CNE/CEB nº 4/2009, que orienta o AEE de forma individualizada e articulada ao ensino comum. A lógica aqui é simples: se o estudante não se adapta à ferramenta, não é o estudante que deve ser “culpado”, mas a proposta que precisa ser ajustada. Em tempos de ensino remoto, o AEE continua tendo a função de garantir acesso, participação e aprendizagem, respeitando o modo como cada aluno aprende melhor. Por isso, o gabarito é a letra B: disponibilizar orientações e atividades que atendam as singularidades de Carla. As demais alternativas ou restringem indevidamente o AEE, ou trazem exigências sem base legal, ou tentam transformar o atendimento especializado em algo padronizado e engessado.