É por isso que não deixaremos de lutar ao mesmo tempo no plano das ideias, dos princípios, do espírito da educação. Não importa que não saibam nosso nome, que plagiem nossos escritos [...]. O principal é que mantenhamos intacto o sentido do nosso trabalho, que preservemos na nossa pedagogia os seus valores essenciais de livre expressão, liberdade das crianças e preparação lógica e humana para o papel eminente do homem na sociedade de amanhã. (...) (FREINET, C. Os invariantes pedagógicos Tradução: Rut Joffily. Paris: François Maspéro, 1969a.) Marque o que não se comprova sobre o trabalho de Freinet.
- A)Ele foi e é um grande pensador e inspirador de uma docência comprometida com uma educação humanizadora, sólida e centrada na criança, na cooperação e no trabalho, motor da vida.
Certa, porque resume bem a pedagogia freinetiana: educação humanizadora, cooperação, trabalho e centralidade da criança.
- B)A história de Freinet começou em 1920, espalhando-se por inúmeros países em todos os continentes.
Certa, pois a difusão do pensamento de Freinet se amplia a partir do século XX, alcançando vários países e continentes.
- C)Para Freinet (1962), o plano individual de trabalho, entre inúmeras ferramentas e técnicas presentes em suas aulas, tinha como objetivo o desenvolvimento da auto-organização e, em consequência, da autonomia do aluno, a possibilidade de um trabalho individualizado que respeitasse a singularidade de cada criança em uma proposta de trabalho educativo, coletivo e vital.
Certa, já que o plano individual de trabalho se relaciona à auto-organização, autonomia e respeito ao ritmo de cada criança.
- D)Nos estudos das ´pesquisas de Freinet, existem informações de que ele se aventurou para além das condições materiais e simbólicas da primeira metade do século XVIII, em prol da educação de qualidade.
Errada, porque situa Freinet no século XVIII, quando sua atuação e suas propostas pertencem ao século XX.
- E)Ele defendia a seguinte ideia: "Podemos dizer que já "não estamos sós" no ideário da escola popular".
Certa, pois expressa a lógica da escola popular e da colaboração, muito presente no ideário de Freinet.
Gabarito: D
Célestin Freinet foi um dos grandes nomes da pedagogia ativa, defendendo uma escola centrada na criança, no trabalho cooperativo, na expressão livre e na aprendizagem com sentido para a vida. Em vez de uma aula engessada, ele propunha uma prática viva, em que o aluno participa, cria, registra, compartilha e constrói autonomia. Isso conversa bem com a ideia de educação humanizadora e popular, muito ligada ao cotidiano e à experiência concreta. Na visão freinetiana, o estudante não é um recipiente vazio: ele precisa de espaço para agir, se organizar, pesquisar e trabalhar em grupo. Por isso aparecem com frequência temas como plano de trabalho, auto-organização, cooperação e respeito à singularidade de cada criança. A lógica é simples e poderosa: aprender não é só repetir, é participar com sentido. O gabarito é a alternativa D porque ela traz um erro histórico evidente. Freinet atuou no século XX, não no século XVIII. Dizer que suas pesquisas avançaram além das condições materiais e simbólicas da primeira metade do século XVIII é anacrônico e não se comprova na trajetória dele. É aquela pegadinha clássica de banca: trocar a época para ver se você está distraído. As demais alternativas dialogam com ideias realmente associadas a Freinet, como a centralidade da criança, a cooperação, a autonomia e a escola popular. Então, aqui a chave é lembrar: quando a frase desloca Freinet para uma época errada, o texto já começa a cair por terra.