Com a intenção de proteger a indústria nacional, o governo do país X decide impor tarifas elevadas sobre a importação do insumo Y, que é muito utilizado pela maioria dos setores industriais domésticos na produção de seus produtos finais. Como consequência, o preço doméstico do insumo Y aumenta significativamente. Dessa forma, é correto afirmar que:
- A)restrições à importação do insumo Y não afetam significativamente os preços domésticos, pois a elasticidade da demanda pelo insumo é baixa;
Errada, porque restrições à importação tendem a elevar, e não a neutralizar, os preços domésticos quando o insumo é relevante para a produção.
- B)tarifas elevadas são benéficas para a população, pois evitam a concorrência desleal de produtos estrangeiros e aumentam a arrecadação fiscal;
Errada, pois tarifa pode até elevar arrecadação e proteger produtores locais, mas isso não significa benefício líquido para a população, já que há perda de bem-estar e aumento de custos.
- C)barreiras comerciais geram externalidades positivas ao garantir que o país não dependa de importações e se torne autossuficiente em setores estratégicos;
Errada, porque barreiras comerciais não criam externalidade positiva automática nem garantem autossuficiência eficiente; muitas vezes só encarecem a produção.
- D)a imposição de tarifas sobre o insumo Y incentiva o crescimento da indústria nacional e reduz o desemprego sem gerar efeitos negativos para a economia como um todo;
Errada, porque a tarifa pode estimular alguns setores protegidos no curto prazo, mas gera efeitos negativos como aumento de custos, menor competitividade e possível redução de bem-estar.
- E)o aumento das tarifas pode gerar ganhos de curto prazo para produtores nacionais, mas aumenta os custos para indústrias que utilizam o insumo, prejudicando a competitividade geral da economia.
Certa, porque a tarifa pode favorecer produtores nacionais de forma temporária, mas encarece o insumo para toda a indústria usuária, prejudicando a competitividade da economia.
Gabarito: E
Quando o governo cria tarifa alta sobre um insumo importado, ele pode até proteger o produtor local no curtíssimo prazo, mas não faz mágica: o custo de produção sobe para quem usa esse insumo. Se o insumo Y é amplamente utilizado pela indústria doméstica, o efeito se espalha pela economia como um dominó bem chato: aumenta o custo dos bens finais, reduz a competitividade das empresas e pode até pressionar preços ao consumidor. Em microeconomia, isso é o clássico trade-off das barreiras comerciais: você ajuda um setor, mas prejudica vários outros que dependem dele. A proteção setorial não significa proteção da economia inteira. Na prática, a tarifa funciona como uma transferência de renda para produtores protegidos e como um encargo para firmas que compram o insumo, que passam a produzir mais caro. Por isso, a letra E está correta. Ela descreve exatamente esse efeito de segunda ordem: há possível ganho de curto prazo para produtores nacionais do insumo ou de setores protegidos, mas o aumento do custo do insumo derruba a eficiência alocativa e a competitividade geral. Esse raciocínio é bem alinhado com a teoria do comércio internacional e com a análise de bem-estar: tarifas geram distorções, perda de eficiência e peso morto para a sociedade. A ideia de que tarifas sempre fortalecem a economia é sedutora, mas costuma ser um atalho perigoso em prova. Em vez de olhar só para a proteção de um grupo, você precisa enxergar o efeito sobre toda a cadeia produtiva. É justamente aí que a FGV gosta de cobrar: o governo protege um pedaço e a conta aparece em outro.