As preferências lexicográficas não atendem à propriedade de serem
- A)reflexivas.
Errada, porque preferências lexicográficas são reflexivas: qualquer cesto é pelo menos tão bom quanto ele mesmo.
- B)completas.
Errada, porque elas são completas: entre dois cestos, sempre é possível dizer qual é preferido ou se há indiferença.
- C)transitivas.
Errada, porque elas são transitivas: se A é preferido a B e B a C, então A é preferido a C.
- D)monótonas.
Errada, porque lexicográficas não são monótonas no sentido usual de preferência pela quantidade de todos os bens; a ordem depende de prioridade entre os atributos.
- E)contínuas.
Certa, porque preferências lexicográficas não são contínuas, já que pequenas variações podem gerar mudanças bruscas na ordem de preferência.
Gabarito: E
As preferências lexicográficas são aquelas em que o consumidor compara os bens como se seguisse uma ordem de prioridade absoluta: primeiro olha um atributo, e só se houver empate passa ao seguinte. É o clássico "primeiro isso, depois aquilo", sem negociação. Isso faz sentido intuitivo, mas cria um problema técnico importante: esse tipo de preferência não consegue ser representado de forma contínua. Na microeconomia, a continuidade é uma propriedade que permite, em linhas gerais, que pequenas mudanças nas quantidades não provoquem saltos bruscos na ordem de preferência. Já nas preferências lexicográficas, um pequeno aumento no bem de maior prioridade pode mudar tudo, mesmo que o outro bem seja muito maior. Ou seja, a preferência “salta” de um cesto para outro sem transição suave. Por isso, o gabarito é a letra E. As preferências lexicográficas podem ser reflexivas, completas e transitivas, mas não são contínuas. Esse é um ponto clássico de teoria do consumidor: elas ajudam a ilustrar uma ordem de escolha, mas fogem das hipóteses usuais necessárias para a existência de uma função de utilidade contínua. Em provas, a FGV gosta de misturar propriedades de preferências com exemplos intuitivos. Então, se aparecer lexicográfica, pense logo em prioridade rígida, comparação em ordem e ausência de continuidade. O consumidor aqui não faz média, não negocia e não “alisa” a decisão: ele bate o martelo pelo primeiro critério relevante.