Uma grande empresa do setor de telecomunicações realiza vultosos investimentos em lobby para convencer o governo a estabelecer regulamentações mais rígidas para novos entrantes no mercado. Esse comportamento pode ser corretamente classificado como um(a):
- A)exemplo de concorrência perfeita, pois reflete a busca por vantagens competitivas legais dentro das regras de mercado;
Errada, porque concorrência perfeita pressupõe muitas firmas, livre entrada e ausência de poder de mercado, exatamente o oposto de lobby para criar barreiras.
- B)caso de seleção adversa, pois reduz a qualidade dos produtos e serviços oferecidos no setor devido à menor concorrência;
Errada, porque seleção adversa é um problema de informação assimétrica, não de atuação política para restringir a entrada de concorrentes.
- C)forma eficiente de política de proteção da indústria interna, pois a restrição à concorrência permite que empresas nacionais se fortaleçam frente a concorrentes estrangeiros;
Errada, porque a descrição fala em lobby para elevar barreiras, e isso não define uma política eficiente de proteção industrial, mas sim uma tentativa de privilégio regulatório.
- D)caso clássico de eficiência dinâmica, já que a maior proteção do mercado de telecomunicações permite maiores investimentos em inovação e qualidade de serviço;
Errada, porque eficiência dinâmica envolve ganhos de longo prazo com inovação e progresso, e não a busca por proteção estatal para dificultar a concorrência.
- E)exemplo de rent seeking, pois a empresa potencialmente prefere alocar recursos na obtenção de privilégios governamentais a competir via eficiência produtiva.
Certa, porque a empresa está usando recursos para obter vantagem via governo e não via competição produtiva, o que caracteriza rent seeking.
Gabarito: E
Aqui a ideia central é simples: a empresa não está investindo para competir melhor no mercado, mas para influenciar as regras do jogo. Quando uma firma usa recursos para convencer o governo a criar barreiras de entrada, ela tenta reduzir a concorrência por meio de decisão regulatória, e não por eficiência produtiva, inovação ou preço menor. Esse comportamento é típico de rent seeking, isto é, a busca de renda econômica por meios políticos ou regulatórios. Em vez de gastar energia para produzir melhor, a empresa gasta energia para ganhar proteção, privilégios ou barreiras contra rivais. É quase como dizer: "se não posso vencer correndo, vou tentar mudar a pista". Na teoria da organização industrial, isso é bem conhecido: grupos estabelecidos podem tentar capturar o regulador para manter lucros acima do normal. Doutrinariamente, isso se relaciona à captura regulatória e à busca de renda. Na prática, o efeito costuma ser ruim para consumidores e para a concorrência, porque novos entrantes enfrentam mais obstáculos e o mercado fica menos dinâmico. Por isso, a alternativa correta é a que descreve rent seeking. Não é concorrência perfeita, não é seleção adversa e também não é proteção eficiente da indústria. A lógica aqui é política e estratégica, não produtiva.