Com base nas características e desafios dos mercados de emissões de carbono, é correto afirmar que:
- A)os mercados regulados de carbono são mais eficientes do que os mercados voluntários, pois evitam flutuações nos preços dos créditos de emissão;
Errada: a eficiência de um mercado regulado não depende só de evitar flutuações de preço, e mercados voluntários também podem funcionar bem em certos contextos.
- B)a precificação do carbono tem impacto apenas simbólico nas decisões empresariais, pois as empresas não internalizam efetivamente os custos das emissões;
Errada: a precificação do carbono justamente busca internalizar o custo das emissões, influenciando decisões reais de produção e investimento.
- C)um dos desafios dos mercados de emissões é o risco de vazamento de carbono, o que reduz a eficácia das políticas de redução de emissões, pois as emissões globais podem não cair;
Certa: o vazamento de carbono é um desafio real, pois a redução local pode ser compensada por aumento de emissões em outras regiões, afetando o resultado global.
- D)os mercados de carbono são ineficientes para reduzir emissões, pois a compra de créditos permite que empresas altamente poluentes evitem qualquer mudança em suas práticas produtivas;
Errada: a compra de créditos não autoriza "não fazer nada"; ela pode ser parte de uma estratégia de mitigação, embora precise de controle para evitar greenwashing.
- E)o mercado de emissões no Brasil já opera com um sistema obrigatório de cap-and-trade para as empresas que emitem mais de 5.000 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, similar ao modelo europeu.
Errada: o Brasil ainda não possui, como regra geral e obrigatória, um sistema nacional de cap-and-trade nesses termos para empresas acima desse limite.
Gabarito: C
Mercados de emissões de carbono foram criados para transformar poluição em custo econômico. A lógica é simples: se emitir CO2 gera um preço, a empresa passa a pensar duas vezes antes de poluir, seja reduzindo emissões, investindo em tecnologia ou comprando créditos. Isso aparece tanto em sistemas de cap-and-trade quanto em mecanismos de compensação e créditos de carbono. O ponto central é que esses mercados podem ajudar muito, mas não são mágicos. Eles dependem de regras claras, fiscalização, integridade dos créditos e, principalmente, de o preço sinalizar de verdade o custo ambiental. Quando isso funciona, o mercado incentiva reduções onde sai mais barato reduzir e desestimula emissões desnecessárias. A alternativa C está correta porque um dos problemas clássicos desses mercados é o vazamento de carbono. Isso ocorre quando empresas ou atividades intensivas em emissão migram para regiões com regras ambientais mais brandas, ou quando a produção é deslocada para fora da área regulada. Resultado: a emissão diminui em um lugar, mas pode aumentar em outro, e a redução global fica comprometida. Esse é um desafio frequentemente apontado na literatura de economia ambiental e na formulação de políticas climáticas. As demais alternativas exageram ou simplificam demais. Mercado regulado não é automaticamente melhor só por evitar oscilação de preço, precificação de carbono não é simbólica, e o Brasil ainda não opera um cap-and-trade obrigatório nacional nos moldes descritos. Em concurso, desconfie quando a frase fala em absolutos como "sempre", "apenas" ou "ineficiente em geral": a economia gosta menos de certezas dramáticas e mais de incentivos, regras e efeitos colaterais.