Uma empresa do setor de seguros de saúde deseja expandir sua carteira de clientes e, para isso, decide oferecer um novo plano com preços reduzidos. No entanto, os gestores percebem que a maioria dos novos clientes que aderiram ao plano possui histórico de alto uso dos serviços de saúde, elevando os custos da operadora. Considerando os conceitos de economia da informação e desenho de mecanismos, é correto afirmar que:
- A)a melhor solução para evitar a seleção adversa é reduzir os preços para atrair um maior número de clientes e, assim, diluir o impacto dos clientes de alto risco;
Errada: reduzir preço pode atrair ainda mais clientes de alto risco e agravar a seleção adversa, em vez de resolvê-la.
- B)no modelo principal-agente, a empresa (principal) possui informação completa sobre os riscos individuais de cada cliente (agente), podendo, dessa forma, precificar os planos de forma exata;
Errada: no modelo principal-agente há assimetria de informação, não informação completa do principal sobre o tipo ou risco do agente.
- C)a empresa pode mitigar a seleção adversa oferecendo diferentes tipos de planos com coberturas distintas, incentivando a autosseleção, de acordo com o perfil de risco dos clientes;
Certa: planos diferenciados estimulam a autosseleção e ajudam a separar clientes de baixo e alto risco, reduzindo a seleção adversa.
- D)o perigo moral nesse caso ocorre porque os clientes saudáveis tendem a revelar suas informações médicas voluntariamente, permitindo que a seguradora precifique corretamente os planos;
Errada: isso não descreve perigo moral, e sim uma confusão entre revelação de informação e comportamento após o contrato.
- E)o problema enfrentado pela seguradora é um exemplo de perigo moral, pois os clientes alteram seu comportamento após aderirem ao plano, aumentando intencionalmente a frequência de uso dos serviços.
Errada: o enunciado fala de seleção adversa, que ocorre antes da contratação; perigo moral seria a mudança de comportamento depois da adesão.
Gabarito: C
O caso descreve um problema clássico de assimetria de informação no mercado de seguros: a operadora não consegue distinguir bem quem tem baixo risco de quem já apresenta maior probabilidade de usar bastante o plano. Quando isso acontece, os clientes de maior risco tendem a entrar com mais força na carteira, encarecendo o produto e pressionando os custos. Esse fenômeno é a seleção adversa: antes do contrato, quem sabe mais sobre o próprio risco tem vantagem sobre a empresa. A saída típica, em economia da informação, é desenhar mecanismos para induzir a autosseleção. Em vez de oferecer um plano único para todo mundo, a empresa pode criar contratos diferentes, com coberturas, franquias, coparticipações e preços variados. Assim, cada perfil escolhe o plano que faz mais sentido para si, revelando indiretamente sua condição de risco. É o famoso “deixar o cliente se identificar sozinho”, só que com método. Por isso, a alternativa C está correta: oferecer planos distintos com características diferentes ajuda a separar os tipos de consumidores e reduz a seleção adversa. Essa lógica aparece na teoria de Rothschild e Stiglitz sobre equilíbrio com contratos separados e também no desenho de mecanismos em geral. Já o risco moral é outra história: ele surge depois do contrato, quando o comportamento do segurado muda porque ele está protegido, e não porque a seguradora desconhece o risco inicial. Em resumo: aqui o problema não é o cliente mudar de atitude após contratar, mas a empresa contratar pessoas com riscos diferentes sem conseguir enxergar isso com clareza. Quando o mercado “mistura todo mundo no mesmo pacote”, a conta costuma sobrar para a seguradora.