Considere uma indústria caracterizada por um mercado de concorrência monopolística. O governo, buscando regular esse mercado, estuda a implementação de impostos e controle de preços. Diante desse cenário e de acordo com as características de concorrência perfeita e monopólio dessa indústria, é correto afirmar que:
- A)empresas em concorrência monopolística operam com excesso de capacidade produtiva no longo prazo, pois não minimizam seus custos médios, diferentemente das firmas em concorrência perfeita;
Certa: no longo prazo, a firma em concorrência monopolística não opera no mínimo do custo médio, gerando excesso de capacidade produtiva.
- B)a diferenciação de produto em mercados de concorrência monopolística leva as empresas a convergirem para um comportamento de monopólio puro, eliminando a pressão competitiva no longo prazo;
Errada: a diferenciação dá poder de mercado, mas não elimina a concorrência nem faz o mercado virar monopólio puro.
- C)o controle de preços em monopólios resulta em eficiência econômica, pois obriga a firma a operar no ponto de custo marginal igual ao preço, garantindo o mesmo equilíbrio da concorrência perfeita;
Errada: controle de preços pode aproximar o monopólio de um resultado mais eficiente, mas não reproduz automaticamente o equilíbrio da concorrência perfeita.
- D)a imposição de um imposto sobre a produção de um monopólio não afeta sua escolha ótima de preço e quantidade, pois a firma tem poder de mercado suficiente para repassar integralmente o imposto ao consumidor;
Errada: o imposto altera a condição de lucro da firma e, portanto, influencia a escolha ótima de preço e quantidade.
- E)a concentração de mercado, medida pelo Índice de Herfindahl-Hirschman, é menor em um monopólio do que em um mercado de concorrência monopolística, pois há apenas uma firma no monopólio, enquanto na concorrência monopolística há várias.
Errada: o HHI é maior no monopólio, pois toda a participação de mercado está concentrada em uma única empresa.
Gabarito: A
Na concorrência monopolística, existem várias empresas vendendo produtos parecidos, mas não idênticos. Isso gera poder de mercado limitado: a firma consegue cobrar um preço um pouco acima do custo marginal, mas não tanto quanto um monopólio puro. No longo prazo, a entrada de novos concorrentes e a diferenciação fazem a curva de demanda da firma ficar tangente ao custo médio, o que impede lucro econômico permanente, mas normalmente a empresa não opera no ponto de menor custo médio. Resultado clássico: sobra capacidade produtiva ociosa, porque ela produz menos do que produziria se estivesse no mínimo do custo médio. É exatamente isso que a alternativa A descreve. Em concorrência monopolística, a firma não minimiza seus custos médios no longo prazo, ao contrário do modelo de concorrência perfeita, em que o equilíbrio de longo prazo ocorre com preço igual ao custo marginal e ao mínimo do custo médio. Aqui, a diferenciação do produto dá algum poder de mercado, mas a concorrência ainda existe o suficiente para impedir lucros extraordinários duradouros. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos. Controle de preço em monopólio pode reduzir perda de peso morto, mas não transforma automaticamente o resultado em concorrência perfeita. Imposto sobre monopólio afeta sim preço e quantidade, mesmo que parte do imposto possa ser repassada. E o índice de Herfindahl-Hirschman é maior em monopólio, não menor, porque monopólio significa concentração máxima. Em linguagem de prova: concorrência monopolística fica no meio do caminho entre concorrência perfeita e monopólio, com diferenciação, poder de mercado limitado e excesso de capacidade no longo prazo.