De acordo com os métodos utilizados na valoração de serviços ambientais, é correto afirmar que:
- A)a valoração de serviços ambientais baseia-se unicamente em preços de mercado e não pode ser aplicada a bens públicos ou externalidades ambientais;
Errada, porque a valoração ambiental não se limita a preços de mercado e justamente existe para estimar bens públicos e externalidades que o mercado não precifica bem.
- B)o método da função de produção é aplicado apenas para bens ambientais consumidos diretamente, pois depende da mensuração da demanda de mercado;
Errada, porque o método da função de produção não se aplica só a bens consumidos diretamente e pode captar efeitos ambientais sobre insumos e produtividade.
- C)a transferência de benefícios pode ser utilizada para estimar o valor de um ecossistema em uma localidade diferente, desde que haja similaridade entre os contextos analisados;
Certa, porque a transferência de benefícios reaproveita estimativas de estudos anteriores para outra localidade, desde que haja semelhança entre os contextos.
- D)a função de produção é um método indireto de valoração que mede as preferências dos consumidores por um bem ambiental específico sem observar seu impacto na produção de mercado;
Errada, porque a função de produção é um método indireto que avalia o impacto do recurso ambiental sobre a produção, e não mede preferências diretas dos consumidores.
- E)os métodos da função de demanda utilizam exclusivamente preferências reveladas no mercado e, por isso, são mais apropriados para estimar o valor de existência de bens ambientais.
Errada, porque métodos de função de demanda não se limitam a preferências reveladas e não são os mais adequados para valor de existência, que costuma exigir preferência declarada.
Gabarito: C
Na valoração de serviços ambientais, a ideia central é colocar um valor econômico em algo que muitas vezes não tem preço de mercado, como qualidade do ar, preservação de uma floresta ou existência de um ecossistema. Como esses bens e serviços costumam envolver externalidades e características de bem público, a economia usa métodos indiretos e diretos para chegar a uma estimativa razoável do valor social. Entre eles, aparecem a função de produção, os métodos de preferência revelada, os de preferência declarada e a transferência de benefícios. A transferência de benefícios é justamente uma técnica prática e muito cobrada: você pega resultados de estudos já feitos em uma área e reaplica em outra localidade, ajustando o que for possível, para estimar o valor de um serviço ambiental sem precisar refazer toda a pesquisa do zero. Isso é útil quando falta tempo, dinheiro ou dados na região estudada. Claro, não é copiar e colar sem cuidado: é preciso haver certa semelhança entre os contextos, como tipo de recurso, perfil da população e condições ambientais. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela descreve corretamente a transferência de benefícios como método para estimar o valor de um ecossistema em outra localidade, desde que os contextos sejam comparáveis. Em linguagem de prova: não se inventa a roda toda vez, mas também não se pode usar um estudo da praia para valorar um manguezal sem pensar nas diferenças. Essa lógica é compatível com a literatura de economia ambiental e com a prática de análise custo-benefício em políticas públicas. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: ou restringem demais os métodos, ou confundem método direto com indireto, ou atribuem ao procedimento um alcance que ele não tem. Em prova de banca, quando aparecer valoração ambiental, desconfie de palavras absolutas como 'unicamente', 'apenas' e 'exclusivamente'. Elas quase sempre vêm para te fazer tropeçar.