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Microeconomia · FGV · 2023

Questão comentada de Microeconomia

Em relação aos trade-offs em que se depara o governo na escolha de impostos, de forma a atender todos os princípios teóricos desejáveis da tributação, é correto afirmar que:

Gabarito: E

Quando o governo escolhe tributos, ele tenta equilibrar vários objetivos ao mesmo tempo: arrecadar bem, causar pouca distorção na economia, ser simples de cobrar e ainda respeitar a justiça tributária. O problema é que esses princípios quase nunca andam todos de mãos dadas. Em outras palavras: o imposto “perfeito” é uma espécie de unicórnio fiscal. Na prática, sempre há trade-off. No caso da questão, o ponto central é entender que o imposto sobre patrimônio costuma ser fácil de identificar e cobrar em comparação com bases móveis, porque o patrimônio é uma base relativamente imobilizada. Isso reduz a chance de fuga e facilita a fiscalização. A doutrina tributária costuma associar isso à maior simplicidade administrativa e à menor mobilidade da base. Mas simplicidade não significa, automaticamente, justiça distributiva. Dependendo da forma de incidência e da possibilidade de repasse, um imposto sobre patrimônio pode acabar sendo suportado, ao menos em parte, por terceiros, inclusive consumidores ou usuários finais, o que pode gerar regressividade. É aí que mora a pegadinha: um tributo aparentemente voltado ao patrimônio pode não recair integralmente sobre quem formalmente paga. Por isso, a alternativa E está correta ao dizer que há simplicidade de arrecadação, mas que pode haver regressividade se o imposto puder ser repassado para a frente. Esse tipo de análise é bem típico em tributação: o nome do imposto não diz tudo, importa também quem realmente suporta o ônus econômico.

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