Em relação aos resultados obtidos no desenvolvimento da teoria do consumidor, é correto afirmar que:
- A)o valor da elasticidade-preço cruzada indica se um bem é de luxo ou essencial;
Errada: elasticidade-preço cruzada indica se os bens são substitutos ou complementares, não se um bem é de luxo ou essencial.
- B)a curva de demanda compensada de Hicks é negativamente inclinada, mesmo quando estamos analisando bens de Giffen;
Certa: a demanda compensada de Hicks é negativamente inclinada porque isola o efeito-substituição, que sempre reage contra a variação de preço.
- C)a curva de Engel relaciona a quantidade demandada entre dois bens, sendo positivamente inclinada quando os bens são normais;
Errada: a curva de Engel relaciona quantidade demandada e renda, não a quantidade demandada entre dois bens.
- D)na teoria ordinal do consumidor, a utilidade marginal de um bem tem significado, pois é invariante a transformações monotônicas positivas;
Errada: na teoria ordinal, utilidade marginal não tem significado cardinal, e transformações monotônicas preservam apenas a ordem das preferências.
- E)a área abaixo da curva de demanda individual mede exatamente a utilidade do consumidor quando sua função utilidade for Cobb-Douglas.
Errada: a área sob a curva de demanda mede excedente do consumidor, não a utilidade exata, mesmo com utilidade Cobb-Douglas.
Gabarito: B
A teoria do consumidor organiza alguns conceitos bem clássicos: curva de demanda, elasticidades, curva de Engel e utilidade. O ponto central aqui é que cada ferramenta responde a uma pergunta diferente. Elasticidade-preço cruzada fala da relação entre dois bens, a curva de Engel mostra como a quantidade demandada varia com a renda, e a utilidade ordinal trabalha com preferências, não com uma medida cardápio de prazer. Por isso, muita alternativa erra ao misturar conceitos. A utilidade marginal, por exemplo, é ideia da utilidade cardinal; na teoria ordinal, o que importa é apenas a ordem das preferências, e transformações monotônicas positivas não alteram essa ordem. Já a área sob a curva de demanda mede disposição a pagar e excedente do consumidor, não a utilidade exata, mesmo em Cobb-Douglas. O gabarito é a letra B porque a demanda compensada de Hicks elimina o efeito-renda, deixando apenas o efeito-substituição. Como o efeito-substituição sempre vai contra a alta de preço, a curva compensada é negativamente inclinada mesmo para bens de Giffen. Isso é um resultado padrão da teoria do consumidor, bem clássico em microeconomia. Em resumo: Hicks serve para enxergar o movimento puro de substituição, e Giffen é justamente o caso em que a demanda Marshalliana pode subir com o preço por causa de um efeito-renda forte. Na compensada, esse “truque” desaparece.