A explicação presente na versão de Lucas para o formato da curva de oferta agregada pressupõe:
- A)que as empresas não ajustam imediatamente os preços cobrados em resposta a variações na demanda devido a preços e salários rígidos;
Errada, porque essa descrição é mais ligada à rigidez de preços e salários, típica da visão keynesiana, e não à versão de Lucas.
- B)a hipótese de preços e salários flexíveis, e considerando que o processamento da informação é perfeito, justifica-se a curva ser vertical no curto prazo;
Errada, porque preços e salários flexíveis não tornam a curva vertical no curto prazo; em Lucas, a oferta pode reagir ao sinal imperfeito de preços.
- C)o poder de mercado das empresas em determinar os preços juntamente com a hipótese de preços rígidos fazendo com que haja uma relação positiva entre o nível de preços e o nível de produto;
Errada, porque combina poder de mercado e rigidez de preços, o que não é o fundamento da abordagem de Lucas para a oferta agregada.
- D)que apesar de os preços serem flexíveis, o salário real de equilíbrio será igual ao salário real efetivo, já que os mercados sempre se equilibram e a curva é horizontal no longo prazo;
Errada, porque confunde curto e longo prazo e ainda mistura salário real de equilíbrio com salário real efetivo de forma incompatível com a explicação lucasiana.
- E)que mesmo os preços sendo flexíveis, existe assimetria de informação onde os fornecedores só acompanham atentamente os preços dos bens que produzem, mas desatentamente os preços dos bens que consomem.
Certa, porque a versão de Lucas pressupõe informação imperfeita e assimetria na observação de preços, gerando resposta do produto a variações percebidas no preço relativo.
Gabarito: E
A versão de Lucas para a oferta agregada parte da ideia de que os agentes formam expectativas com base nas informações que conseguem observar, mas não enxergam tudo ao mesmo tempo. Em outras palavras, o produtor percebe bem os preços dos bens que vende, mas acompanha menos atentamente os preços dos bens que compra. Isso cria confusão entre uma alta de preço geral e uma alta de preço relativo do seu produto. Quando o empresário acha que o preço do seu bem subiu relativamente, ele entende que vale a pena produzir mais. Por isso, a curva de oferta agregada pode ter inclinação positiva mesmo com preços flexíveis. O ponto central é a informação imperfeita, e não rigidez de preços ou salários. Essa é a marca da escola das expectativas racionais associada a Robert Lucas. Então, o gabarito é a letra E porque ela descreve exatamente essa assimetria de informação: os fornecedores observam com mais atenção os preços dos bens que produzem do que os preços dos bens que consomem. Isso faz com que choques monetários possam alterar o produto no curto prazo, até os agentes perceberem que foi só inflação geral e não aumento de preço relativo. Se quiser guardar em uma frase: em Lucas, o produtor não é enganado por magia, mas por sinal mal interpretado. Ele vê preço subindo e pensa "boa, meu produto ficou mais valorizado", quando às vezes foi só o mercado inteiro subindo junto.