Considere uma situação hipotética onde há uma perspectiva de equilíbrio parcial e onde os agentes possuem funções utilidade do tipo quaselinear em relação a um mesmo bem numerário. A condição necessária e suficiente para que a alocação ótima interior de um bem público desejável seja eficiente no sentido de Pareto é:
- A)o benefício marginal do bem público para cada consumidor ser igual ao custo marginal de produção desse bem;
Errada, porque a igualdade beneficio marginal igual custo marginal vale para bens privados, nao para bens publicos.
- B)o benefício marginal do bem público para o consumidor mais favorecido ser igual ao custo marginal de produção desse bem;
Errada, pois nao importa apenas o consumidor mais favorecido; a eficiencia considera o beneficio total gerado para todos.
- C)o benefício marginal do bem público para o consumidor menos favorecido ser igual ao custo marginal de produção desse bem;
Errada, porque o consumidor menos favorecido tambem nao determina sozinho a decisao eficiente de oferta do bem publico.
- D)a soma dos benefícios marginais do bem público para os consumidores ser igual ao custo marginal de produção desse bem;
Certa, pois no otimo eficiente a soma dos beneficios marginais dos consumidores deve ser igual ao custo marginal de producao.
- E)a média dos benefícios marginais do bem público para os consumidores ser igual ao custo marginal de produção.
Errada, porque a regra usa a soma dos beneficios marginais, nao a media.
Gabarito: D
Aqui a ideia central é a eficiência de Pareto para um bem publico em equilibrio parcial. Como o bem publico beneficia varias pessoas ao mesmo tempo, nao basta olhar para um consumidor isoladamente. O criterio correto soma os beneficios marginais individuais e compara com o custo marginal de prover mais uma unidade do bem. Essa é a chamada regra de Samuelson, base classica da teoria dos bens publicos na microeconomia. A intuição é simples: se o bem vale pouco para cada pessoa separadamente, ele ainda pode valer muito quando voce junta todo mundo. Por isso, no otimo eficiente, o ganho total para os consumidores deve ser exatamente igual ao custo adicional de producao. Se a soma dos beneficios marginais for maior que o custo, ainda compensa aumentar a oferta. Se for menor, voce esta produzindo demais. As preferencias quaselineares em relacao ao numerario ajudam porque deixam a analise limpa: a utilidade marginal da renda fica constante e a disposicao a pagar pelo bem publico pode ser agregada sem complicar o resto do consumo. Isso reforca a logica de comparar beneficios marginais agregados com o custo marginal. Em linguagem de prova, o ponto de eficiencia para bem publico eh quando a soma das disposicoes marginais a pagar dos consumidores iguala o custo marginal. Por isso o gabarito é a letra D. As demais alternativas caem na armadilha de aplicar a regra dos bens privados, em que se iguala beneficio marginal individual ao custo marginal. Para bem publico, o raciocinio muda: o benefício é compartilhado e precisa ser somado.