Em relação à rigidez da legislação trabalhista, a teoria de Economia do Trabalho aponta que, quanto maiores os custos demissionais,
- A)o percentual de desempregados que procuram emprego a mais de um ano tende a ser maior.
Certa: custos demissionais altos tendem a alongar a duração do desemprego, aumentando a parcela de pessoas que ficam mais de um ano procurando trabalho.
- B)a frequência do desemprego de curto prazo é maior.
Errada: a rigidez não aumenta a frequência do desemprego de curto prazo; em geral, ela reduz a rotatividade e pode prolongar a permanência no desemprego.
- C)aumentam os desligamentos de trabalhadores, elevando a taxa de rotatividade.
Errada: custos demissionais maiores tendem a diminuir, e não elevar, os desligamentos e a taxa de rotatividade.
- D)a produtividade tende a se elevar, pois facilitam a realocação de empregos para atividades mais produtivas.
Errada: a teoria aponta o contrário, pois maior rigidez reduz a realocação eficiente e pode travar ganhos de produtividade.
- E)a estabilidade dos trabalhos não protegidos, como o trabalho temporário, aumenta.
Errada: a estabilidade de trabalhos não protegidos não aumenta por causa de custos demissionais; o efeito típico é deslocar a adaptação para vínculos mais precários ou reduzir contratações formais.
Gabarito: A
Quando a legislação trabalhista fica mais rígida e os custos para demitir sobem, a empresa pensa duas vezes antes de contratar. Isso acontece porque, se depois for preciso cortar pessoal, o desligamento fica caro, burocrático ou arriscado. Na prática, o ajuste do mercado de trabalho fica mais lento: a empresa evita abrir vagas e o trabalhador pode demorar mais para encontrar recolocação. Na teoria de Economia do Trabalho, esse tipo de rigidez tende a afetar principalmente a duração do desemprego. Em vez de aumentar apenas o desemprego de passagem, ela pode empurrar parte dos trabalhadores para uma situação mais longa, com busca por emprego mais demorada. É por isso que cresce a proporção de desempregados com mais de um ano procurando trabalho. O gabarito é a letra A porque custos demissionais altos desestimulam contratações e reduzem a mobilidade do mercado, alongando o tempo de procura. A ideia é simples: se demitir custa caro, o empregador fica mais cauteloso; e, se a entrada e saída de trabalhadores ficam travadas, o desemprego tende a se tornar mais persistente. Esse raciocínio é bem comum na literatura de Economia do Trabalho sobre rigidez e duração do desemprego. Não confunda: a questão não está dizendo que aumenta o volume total de desempregados necessariamente, mas que cresce o peso do desemprego de longa duração. Em prova, a banca gosta desse detalhe, porque muita gente lê rápido e troca "duração" por "quantidade".