O site Folha de S. Paulo publicou, no dia 08 de outubro de 2021, notícia intitulada “Carnes, combustíveis e passagem aérea disparam na pandemia; veja a alta de preços”, cujo trecho é reproduzido a seguir: “Carnes, alimentos diversos, combustíveis e passagem aérea. Esses são alguns exemplos de itens que ilustram a disparada de preços sentida pelos brasileiros durante a pandemia de Covid-19. O cenário é retratado por um levantamento do economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a pedido da Folha. Para analisar a escalada da inflação, o pesquisador utilizou resultados do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) verificados ao longo da crise sanitária, entre fevereiro de 2020 e setembro de 2021. A pesquisa, realizada pelo FGV Ibre, contempla sete capitais: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. De fevereiro de 2020 a setembro de 2021, o IPC teve variação de 11,59% em termos gerais. No recorte por grupos, chama atenção o aumento maior e disseminado por alimentos frequentemente usados em churrascos e festas. Carnes bovinas (35,31%), frango em pedaços (32,62%), frango inteiro (28,21%) e carnes suínas (25,26%), por exemplo, dispararam (...)” (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/10/carnes-combustiveis-e-passagem-aerea-disparam-na-pandemia-veja-a-alta-de-precos.shtml) Dentre as possíveis causas para a disparada de preços dos diferentes tipos de carnes e frango, não é possível mencionar
- A)aumento da demanda internacional por esse tipo de alimento.
Certa, porque aumento da demanda internacional eleva a procura externa e pode pressionar os preços internos para cima.
- B)aumento do custo de commidities que são utilizadas como insumos na criação de animais.
Certa, porque insumos mais caros na criação de animais aumentam o custo de produção e reduzem a oferta.
- C)desestruturação da cadeia produtiva causada pela pandemia.
Certa, porque a pandemia pode desorganizar transporte, abate, processamento e distribuição, afetando a oferta.
- D)aumento do desemprego, que reduziu o poder de barganha dos trabalhadores do setor.
Errada, porque o desemprego reduz renda e consumo, sendo um choque de demanda negativa, não uma explicação típica para a alta desses preços.
- E)aumento das exportações de carne pelo país.
Certa, porque mais exportações retiram produto do mercado interno e tendem a elevar o preço doméstico.
Gabarito: D
A questão trata de choques de oferta no mercado de carnes e frango. Quando o preço sobe de forma forte e rápida, normalmente não é porque as pessoas “resolveram comer muito mais”, mas porque algo ficou mais caro, mais difícil ou mais vantajoso vender para fora. Nesse tipo de mercado, fatores como aumento do custo dos insumos, quebra logística na pandemia, retomada da demanda externa e maior exportação empurram a curva de oferta para a esquerda ou retiram produto do mercado interno, elevando os preços. É aquele cenário clássico de menos produto disponível para muita gente querendo comprar. No período da pandemia, houve desorganização da cadeia produtiva, alta de custos de ração e outras commodities, além de maior apetite do mercado internacional. Tudo isso ajuda a explicar a disparada dos preços. Em termos de microeconomia, a lógica é bem direta: custo sobe, oferta cai ou fica mais cara, e o preço de equilíbrio sobe. O gabarito é a letra D porque aumento do desemprego, em regra, reduz a renda e o consumo das famílias, afetando a demanda. Isso não explica a alta de preços de carnes e frango como uma causa típica da oferta. Na verdade, se fosse apenas efeito de desemprego, a tendência seria de pressão baixista sobre a demanda, não de disparada de preços. A FGV gosta muito de testar essa diferença entre choque de demanda e choque de oferta, então vale ficar atento. Em resumo: para justificar aumento de preço desses itens, você pensa primeiro em custo de produção, exportação e restrição de oferta. Se a alternativa fala em desemprego, acenda o alerta, porque a pista costuma ir para a direção oposta da elevação de preços.