← Questões de Microeconomia

Microeconomia · CONSULPLAN · 2025

Questão comentada de Microeconomia

Até o século XIX, os economistas buscavam explicar a economia mundial, fazer prognósticos sobre o futuro da economia e estabelecer princípios de economia política que direcionassem quais políticas poderiam levar ao bem-estar social ou ao empobrecimento. A partir do século XX, em que pese alguns economistas continuarem a acreditar que a economia poderia cumprir referida função política, surge outra vertente teórica, que deu origem à teoria tradicional do bem-estar (HICKS, 1939). As correntes teóricas prevalecentes no século XX herdaram uma ciência econômica dominada, desde 1870, pela Teoria do Equilíbrio Geral (NAPOLEONI, 1979). O principal representante dessa teoria, o economista e matemático Léon Walras, defendia um maior rigor matemático para assuntos de ordem econômica, que envolveriam a interação entre os agentes em diversos mercados e a tendência ao equilíbrio. A teoria do equilíbrio walrasiana, uma das mais importantes teorias relacionadas à distribuição de recursos em uma economia, culminou no critério de eficiência de Pareto (AGAFANOW, 2007). De acordo com Walras (1983, p. 78), o equilíbrio perfeito ou geral do mercado está fundamentalmente ligado ao que se denomina valor de troca, uma vez que esse valor determina as relações de preços entre os bens trocados no mercado, e o alcance do equilíbrio representa a eficiência econômica proporcionada pela atuação dos agentes no mercado. Segundo Napoleoni (1979), as teorias econômicas constituídas após 1900 focaram em dois caminhos distintos, um na continuidade e aprofundamento da teoria do equilíbrio e outro na constituição teórica embasada nas críticas a ela – dentre as quais estão “a economia do bem-estar” e “a nova economia do bem-estar”; a primeira representada por Arthur Cecil Pigou e a segunda constituída sobre as bases da otimalidade de Vilfredo Pareto, um dos principais seguidores de Walras. (Revista de Desenvolvimento Econômico. Ano XIX, v. 2, n. 38/2017. Adaptado.) Considerando as informações contidas no excerto anterior e, ainda, sobre equilíbrio geral e bem-estar, assinale a afirmativa INCORRETA.

Gabarito: D

Em microeconomia do bem-estar, a ideia central é simples: olhar para a economia não só pelo que é produzido, mas por como os recursos e os bens se distribuem entre as pessoas. Na teoria do equilíbrio geral, isso ganha uma linguagem mais formal, com preços, utilidades, tecnologia e um conjunto de possibilidades que a economia consegue alcançar. A partir daí, a análise do bem-estar pergunta: entre esses arranjos possíveis, quais são melhores para a sociedade? A resposta clássica passa por Pareto, que ajuda a identificar alocações em que não dá para melhorar a situação de alguém sem piorar a de outro. É a velha briga entre eficiência e distribuição, só que em versão matematicamente elegante. Nesse contexto, aparece o conjunto de possibilidades de utilidades, isto é, o conjunto de combinações possíveis de utilidades dos indivíduos dadas as restrições da economia. Ele é muito usado para pensar políticas públicas e escolhas sociais, porque mostra o que é factível antes de decidir o que é desejável. Por isso, as alternativas A, B e C estão alinhadas com essa lógica: elas falam de transformação dos bens, utilidades individuais e possibilidade de políticas orientadas ao máximo bem-estar social. A letra D está incorreta porque nega exatamente a base da análise do bem-estar. O bem-estar econômico é sim avaliado a partir de estados econômicos alternativos, da forma como os recursos são alocados e de como as recompensas da atividade econômica são distribuídas. Em outras palavras, o texto da alternativa tenta dizer que estado econômico não tem nada a ver com arranjo produtivo ou distributivo, mas isso vai contra a própria teoria do equilíbrio geral e dos teoremas do bem-estar. Se o objetivo é comparar arranjos, você não pode fingir que o arranjo não importa. Então, o gabarito D é correto porque traz uma negação da própria noção de estado econômico e de análise de eficiência distributiva. Na literatura de economia do bem-estar, especialmente em Pigou e na vertente paretiana, o foco está justamente em comparar estados econômicos e suas implicações sobre a utilidade social.

Continue treinando

Questões relacionadas