A economia ambiental trata da análise dos custos e benefícios das atividades humanas sobre o meio ambiente, bem como das políticas públicas necessárias para lidar com as externalidades e promover a sustentabilidade. Um conceito central dentro da economia ambiental é o de “recursos naturais”; eles podem ser divididos em renováveis e não renováveis. O manejo adequado desses recursos é fundamental para garantir que as gerações futuras possam usufruí-los. Uma das estratégias adotadas pelos governos para mitigar os impactos negativos sobre o meio ambiente é a internalização das externalidades, ou seja, a inclusão dos custos ambientais nos preços de mercado dos bens e serviços. Com base nesse contexto, sobre a aplicação da economia ambiental em políticas públicas e estratégias para sustentabilidade, assinale a afirmativa correta.
- A)A utilização de subsídios governamentais para indústrias poluentes tem como objetivo reduzir os custos de produção, promovendo um crescimento econômico que pode, posteriormente, financiar projetos ambientais.
Errada, porque subsidiar indústria poluente tende a baratear a poluição, e não a mitigá-la.
- B)A implementação de um imposto sobre carbono visa internalizar a externalidade negativa gerada pelas emissões de gases de efeito estufa, estimulando as empresas a adotarem práticas mais limpas e eficientes em termos energéticos.
Certa, porque o imposto sobre carbono internaliza a externalidade negativa das emissões e incentiva práticas menos poluentes.
- C)O conceito de recursos naturais renováveis se refere àqueles que, uma vez utilizados, podem ser reconstituídos em um curto espaço de tempo, como o petróleo e o gás natural, que podem ser extraídos continuamente sem impacto para o meio ambiente.
Errada, porque petróleo e gás natural são recursos não renováveis e não podem ser reconstituídos rapidamente.
- D)A externalidade positiva gerada pela plantação de árvores urbanas, que melhora a qualidade do ar e o bem-estar da população, é frequentemente ignorada em análises econômicas, devido à sua dificuldade de mensuração e incorporação nos custos de mercado.
Errada, porque externalidades positivas podem ser subestimadas, mas não são necessariamente ignoradas; elas podem ser incorporadas por políticas públicas e instrumentos de valoração.
Gabarito: B
A economia ambiental olha para um problema bem comum: quem produz um benefício ou um prejuízo para a sociedade nem sempre paga ou recebe por isso no preço de mercado. Quando isso acontece, surgem as externalidades. Se a atividade gera dano ambiental, temos uma externalidade negativa; se gera benefício coletivo, uma externalidade positiva. A ideia das políticas públicas é corrigir esse descompasso, fazendo com que o preço reflita melhor o custo real para a sociedade. É aí que entra a internalização das externalidades. Em vez de deixar a poluição “de graça”, o governo pode criar instrumentos como impostos, taxas, licenças negociáveis e regulação. O objetivo é simples: jogar no custo privado aquilo que antes era um custo social escondido. Assim, a empresa pensa duas vezes antes de poluir e passa a buscar processos mais limpos. Economia com consciência, sem truque de mágica. Por isso, o imposto sobre carbono é um exemplo clássico. Ele aumenta o custo de emitir gases de efeito estufa e incentiva redução de emissões, inovação tecnológica e uso mais eficiente de energia. Isso está alinhado com a lógica pigouviana, ligada a Arthur Pigou, que defende a correção de externalidades por meio de tributos ou subsídios adequados. As demais alternativas escorregam em pontos importantes: subsídio para indústria poluente não reduz o problema, petróleo e gás natural não são renováveis, e a dificuldade de mensurar externalidades positivas não significa que elas sejam ignoradas como regra, mas sim que podem exigir instrumentos como incentivos, valoração ambiental e políticas urbanas.