No curso normal de negócios, toda empresa enfrenta decisões que podem impor benefícios ou custos excedentes a terceiros, o que se denomina “externalidades”. Os administradores, gestores públicos e os cidadãos têm interesse em implementações de ações ou políticas públicas que minimizem externalidades negativas e maximizem externalidades positivas. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Em muitos casos, as externalidades podem surgir como resultado da utilização ineficiente dos recursos produtivos.
Certa: externalidades podem estar associadas a uso ineficiente de recursos, porque o mercado não internaliza todos os custos ou benefícios sociais.
- B)Uma ação que gera benefícios externos deve ser expandida ao ponto em que benefícios marginais da expansão para toda sociedade se igualem aos custos marginais.
Certa: em externalidades positivas, a expansão é desejável até o ponto em que o benefício marginal social se iguala ao custo marginal social.
- C)No caso de externalidades negativas, um produtor ou consumidor jamais alocará recursos em excesso para uma atividade de produção ou consumo se parte do custo for transferido para terceiros.
Errada: quando parte do custo recai sobre terceiros, o agente tende a produzir ou consumir em excesso, e não o contrário.
- D)Externalidades surgem quando um terceiro recebe benefícios ou arca com custos de atividades de produção, ou de consumo para os quais o sistema de mercado não permite que ele seja beneficiado ou responsabilizado integralmente.
Certa: a definição está adequada, pois externalidade ocorre quando terceiros são afetados sem que isso seja totalmente refletido no sistema de preços.
Gabarito: C
Externalidades aparecem quando a decisão de produzir ou consumir gera efeitos em terceiros que não entram no preço de mercado. Pode ser um dano, como poluição, ou um benefício, como vacinação ou pesquisa, e aí o mercado sozinho tende a falhar em chegar ao resultado socialmente desejável. Em outras palavras: quem decide nem sempre paga tudo o que custa, nem recebe tudo o que ajuda a gerar. Por isso, o Estado costuma atuar com impostos, subsídios, regulação ou direitos de propriedade, tentando aproximar o interesse privado do interesse coletivo. Quando a externalidade é positiva, o nível de atividade tende a ficar abaixo do ideal social, porque o agente privado não captura todo o benefício que sua ação cria. Já nas externalidades negativas, acontece o contrário: a atividade tende a ser maior do que deveria, pois parte do custo fica empurrada para terceiros. É justamente aqui que a banca gosta de brincar com a intuição do candidato. A alternativa C está errada porque, se parte do custo é transferida para terceiros, o produtor ou consumidor pode sim acabar alocando recursos em excesso para aquela atividade. Isso acontece porque ele enfrenta um custo privado menor do que o custo social total. Em linguagem de microeconomia, o custo marginal privado fica abaixo do custo marginal social, o que leva a sobreprodução ou superconsumo. É o tipo de situação que faz o mercado dizer "vai fundo" enquanto a sociedade responde "calma lá". Esse raciocínio é clássico na teoria de falhas de mercado e externalidades, presente na abordagem microeconômica tradicional e em autores como Pigou, que defendem a correção dessas distorções para internalizar os custos ou benefícios externos.