Analista de regulação – especialista econômico-financeiro, interessado em melhor compreender a organização das empresas atuantes no mercado de prestação dos serviços regulados, tendo por base documentação disponibilizada pelas próprias empresas, observou que elas estavam obtendo sucesso nas reduções dos custos médios. Essas reduções resultavam da expansão da quantidade produzida, dados os preços dos insumos. Os principais fatores que impactavam as reduções dos custos médios eram os seguintes: • Custos fixos como parcela altamente significativa dos custos totais; • Maior especialização dos trabalhadores com treinamentos constantes, resultando em maior produtividade física do trabalho; • Melhor organização do processo produtivo, obtendo continuidade nos fluxos de produção e redução da ociosidade de máquinas e equipamentos. Considerando unicamente as informações disponibilizadas, é possível afirmar que as empresas analisadas estavam focadas em obter:
- A)Integração vertical.
Errada, porque integração vertical diz respeito a controlar etapas anteriores ou posteriores da cadeia produtiva, e o enunciado fala de redução do custo médio com aumento da produção.
- B)Economia de escala.
Certa, porque os fatores citados mostram diluição de custos fixos e ganhos de eficiência com maior volume produzido, caracterizando economia de escala.
- C)Poder de monopólio.
Errada, porque poder de monopólio é uma característica de mercado e de precificação, não a explicação para a queda do custo médio descrita no enunciado.
- D)Economia de escopo.
Errada, porque economia de escopo ocorre quando a empresa reduz custos produzindo bens diferentes em conjunto, e aqui o foco é ampliar a quantidade do mesmo processo produtivo.
Gabarito: B
A questão trata de um clássico da teoria da firma: quando a empresa aumenta a produção e, mesmo com os preços dos insumos constantes, consegue reduzir o custo médio. Isso costuma acontecer quando há diluição de custos fixos por um volume maior produzido e quando a operação fica mais eficiente ao crescer. Em outras palavras: a fábrica vai “enchendo a capacidade” e cada unidade produzida passa a carregar uma fatia menor do custo total. Os indícios do enunciado apontam bem nesse sentido. Custos fixos relevantes, especialização dos trabalhadores, treinamento contínuo, melhora da organização produtiva e menor ociosidade de máquinas são sinais típicos de ganhos associados ao aumento da escala. Ou seja, a empresa produz mais e aprende a produzir melhor, reduzindo o custo médio. Isso é exatamente o que a microeconomia chama de economia de escala. Perceba que não se trata de economia de escopo, porque o enunciado não fala em produzir bens diferentes conjuntamente, e sim em expandir a quantidade produzida do mesmo processo. Também não é integração vertical, porque não há menção a internalizar etapas da cadeia produtiva. E poder de monopólio é consequência de estrutura de mercado, não uma explicação direta para a queda do custo médio descrita aqui. Então o gabarito B está correto: as empresas estavam aproveitando economias de escala, com redução do custo médio à medida que a produção aumentava. É aquele cenário em que crescer faz a conta ficar mais amigável - e a empresa adora esse tipo de mágica econômica.