Considere as escolhas dos consumidores de uma forma geral, bem como a utilidade que os consumidores obtêm com opções entre alternativas de risco. Para fins de simplificação, considere, ainda, a utilidade que um consumidor obtém de sua renda (a cesta de mercado que a renda do consumidor lhe permite adquirir) e a medição dos payoffs em termos de utilidade. Analise os três gráficos a seguir, que versam sobre preferências do consumidor em relação ao risco: A respeito de escolha sob incerteza (preferências em relação ao risco), assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)A figura C revela que o consumidor é neutro em relação ao risco.
Certa: a figura C indica utilidade linear em relação à renda, o que caracteriza neutralidade ao risco.
- B)As figuras A, B e C permitem observar as preferências de consumidores em relação ao risco.
Certa: as três figuras ilustram perfis clássicos de preferência ao risco, como aversão, neutralidade e propensão ao risco.
- C)De acordo com a figura A, o nível de utilidade aumenta de 10 para 16 e, depois, para 18, à medida que a renda aumenta de US$ 10.000 para US$ 20.000 e, depois, para US$ 30.000.
Certa: a figura A mostra utilidade total crescendo de 10 para 16 e depois para 18 conforme a renda aumenta.
- D)A figura A revela que a utilidade marginal é crescente, passando de 10 (quando a renda aumenta de zero para US$ 10.000) para 6 (quando a renda aumenta de US$ 10.000 para US$ 20.000) e, depois, para 2 (quando a renda aumenta de US$ 20.000 para US$ 30.000).
Errada: os ganhos de utilidade caem de 10 para 6 e depois para 2, então a utilidade marginal é decrescente, não crescente.
- E)As curvas 0E e a reta 0E, existentes nos gráficos, representam as funções utilidades dos consumidores. Elas informam qual o nível de utilidade (no eixo vertical) que podem obter para cada nível de rendimento (medido em milhares de dólares no eixo horizontal).
Certa: a curva de utilidade relaciona o nível de renda no eixo horizontal com o nível de utilidade no eixo vertical.
Gabarito: D
Em escolha sob incerteza, você olha para como a utilidade muda quando a renda ou o payoff aumenta. Se a utilidade sobe cada vez menos, o consumidor é avesso ao risco; se sobe em linha reta, ele é neutro; se sobe cada vez mais, ele é amante do risco. É o velho trio da teoria do consumidor: curva côncava, reta e convexa, respectivamente. No enunciado, a figura A mostra utilidade que aumenta com a renda, mas os incrementos são menores a cada passo. Se a renda vai de 0 para 10 mil, a utilidade sobe 10; depois, de 10 para 20 mil, sobe 6; e, por fim, de 20 para 30 mil, sobe só 2. Isso significa utilidade marginal decrescente, não crescente. Ou seja, o consumidor vai ganhando utilidade adicional menor a cada aumento de renda. Por isso, a alternativa D está incorreta: ela afirma que a utilidade marginal seria crescente, mas os próprios números apresentados mostram o contrário. Em microeconomia, utilidade marginal é a variação da utilidade total quando a renda aumenta uma unidade, então a leitura correta é exatamente a queda de 10 para 6 para 2. Esse raciocínio é padrão da teoria do consumidor e aparece em qualquer tratamento doutrinário clássico de preferência ao risco, utilidade esperada e aversão ao risco. As figuras A, B e C são úteis para identificar perfis distintos de preferência em relação ao risco, e a figura C representa o caso neutro porque a utilidade cresce de forma linear. O ponto central da questão é não confundir utilidade total com utilidade marginal: a primeira sobe; a segunda pode subir, cair ou ficar constante. Aqui, ela cai.