Considerando a teoria microeconômica e as diferentes estruturas de mercado, assinale a opção correta.
- A)Os custos fixos de empresas que operam em concorrência perfeita no curto prazo são irrelevantes para a decisão de continuarem produzindo, pois só se produz quando o preço é inferior ao custo variável médio.
Errada: no curto prazo, o critério relevante para continuar produzindo é preço maior ou igual ao custo variável médio, mas isso não torna os custos fixos irrelevantes em qualquer sentido, apenas afasta sua influência na decisão de produção imediata.
- B)Como em um mercado perfeitamente competitivo existe livre entrada e saída de produtores, o lucro econômico das empresas nunca poderá ser negativo no curto prazo.
Errada: em concorrência perfeita o lucro econômico pode ser negativo no curto prazo, porque a livre entrada e saída só garante tendência ao lucro zero no longo prazo.
- C)Se o governo impuser um imposto unitário (por unidade vendida) a um monopolista, o preço final de equilíbrio do mercado aumentará exatamente no mesmo valor do imposto.
Errada: um imposto unitário sobre monopolista não é repassado necessariamente em 100% ao preço; a incidência depende das elasticidades e da curva de demanda.
- D)Em um mercado concorrencial com rendimentos constantes à escala, ajustes de longo prazo frente a alterações da demanda ocorrem exclusivamente por meio de variações na quantidade produzida, sem mudança no preço.
Certa: com rendimentos constantes à escala e concorrência perfeita, o ajuste de longo prazo a variações da demanda ocorre pela quantidade, mantendo o preço de equilíbrio constante.
- E)Sob rendimentos constantes à escala, uma contração da demanda agregada em um mercado concorrencial gera um novo equilíbrio de longo prazo com preço inferior ao inicial.
Errada: sob rendimentos constantes à escala, a contração da demanda não implica necessariamente queda do preço de longo prazo, pois o ajuste pode ocorrer só na quantidade de equilíbrio.
Gabarito: D
Em concorrência perfeita, a empresa é tomadora de preço: ela não escolhe o preço, apenas decide quanto produzir. No curto prazo, a regra de sobrevivência é simples: vale continuar produzindo se o preço cobrir o custo variável médio, porque os custos fixos já estão afundados no passado e não mudam com a decisão de parar ou continuar. Esse é o tipo de detalhe que a banca adora testar com cara de pegadinha de planilha. No longo prazo, a lógica fica ainda mais elegante. Se a demanda muda em um mercado concorrencial com rendimentos constantes à escala, o ajuste tende a ocorrer pela quantidade de firmas e pela quantidade total produzida, enquanto o preço permanece no nível dado pelo custo médio mínimo da firma representativa. Isso decorre do equilíbrio de longo prazo em concorrência perfeita: lucro econômico zero e preço igual ao custo médio mínimo. Por isso, a alternativa D está correta. Com rendimentos constantes à escala, a curva de oferta de longo prazo do setor pode ser horizontal no preço de equilíbrio de longo prazo, de modo que uma mudança na demanda desloca a quantidade de equilíbrio, mas não altera o preço. A literatura microeconômica clássica trata isso como consequência da livre entrada e saída e da condição de lucro econômico nulo no longo prazo. As demais opções misturam curto prazo com longo prazo ou exageram o efeito de um imposto. Em especial, em imposto unitário sobre monopolista, parte do tributo pode ser repassada ao preço, mas não necessariamente integralmente.