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Medicina Veterinária · UFRR · 2023

Questão comentada de Medicina Veterinária

A expansão das pesquisas e consequente emprego das opões em fármacos na medicina veterinária resultou em melhora significativa nos tratamentos realizados em cães e gatos. Entretanto, a prescrição de fármacos exige cautela e deve estar condicionada à evidência científica para a espécie do paciente, uma vez que existem particularidades fisiológicas, anatômicas e bioquímicas inerentes a cada espécie, que podem resultar em falhas terapêuticas, reações adversas e até mesmo óbito do paciente. Nesse contexto, a espécie felina merece atenção. Analise as afirmativas abaixo e marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as afirmativas falsas. ( ) Os agentes alquilantes, a cisplatina, é segura e indicada para o uso em gatos, pois os efeitos indesejados como microangiopatia, edema pulmonar e hidrotórax não são descritos na espécie felina. ( ) Em gatos, a glicuronidação mostra-se ineficiente para o metabolismo do cloranfenicol, o que pode favorecer a ocorrência de efeitos colaterais, como mielossupressão e deseitropoiese. ( ) Em gatos, a metabolização lenta do ácido acetilsalicílico está relacionada com a deficiência na conjugação da glicina, dependente da ligação à coenzima A e da glicina-N-acetiltransferase, presentes na matriz mitocondrial das células hepáticas e renais, o que resulta em meia vida aproximadamente 40 horas; assim, quando prescrito para os gatos, o intervalo de administração do ácido acetilsalicílico deve ser de 48 a 72 horas. ( ) Os gatos são predispostos ao desenvolvimento de doença renal crônica naturalmente adquirida, portanto são mais suscetíveis à ação de fármacos que influenciam na hemodinâmica renal, dentre eles, os anti-inflamatórios não esteroidais, particularmente a fenilbutazona, e ibuprofeno, por causarem a redução da produção de vasodilatadores (prostanoides) com consequente redução do fluxo sanguíneo medular e cortical. A sequência está CORRETA em:

Gabarito: A

Essa questão cobra um clássico da Farmacologia Veterinária: o gato não é um cachorro pequeno. Ele tem limitações metabólicas bem conhecidas, principalmente na conjugação por glicuronidação, e isso muda completamente a segurança de vários fármacos. Em prova, a banca adora misturar mecanismo correto com exemplo de medicamento proibido ou de uso muito cauteloso, para ver se você percebe o detalhe venenoso. A primeira afirmativa é falsa porque a cisplatina é altamente tóxica para gatos e não é considerada segura nessa espécie. Ela pode causar efeitos graves, inclusive lesões pulmonares e renais, então não entra na lista de drogas tranquilas para felinos. Já a segunda é verdadeira: o gato tem glicuronidação ineficiente para o cloranfenicol, o que aumenta o risco de mielossupressão e outros efeitos adversos. É o famoso “metaboliza devagar, intoxica fácil”. A terceira também é verdadeira. Em gatos, o ácido acetilsalicílico tem depuração lenta por limitações na conjugação, o que prolonga sua meia-vida e obriga intervalos maiores de administração, em geral na faixa de 48 a 72 horas. A lógica da questão está alinhada com a farmacocinética felina, que exige dose e intervalo bem mais conservadores. A quarta afirmativa é verdadeira porque os gatos são mais sensíveis a alterações hemodinâmicas renais, e os AINEs reduzem prostaglandinas, que ajudam a manter o fluxo sanguíneo renal. Em um animal com maior predisposição a doença renal crônica, isso vira terreno perigoso, especialmente com fármacos como ibuprofeno, que é particularmente problemático. Assim, a sequência correta é F, V, V, V, que corresponde ao gabarito A.

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