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Medicina Veterinária · FUNDATEC · 2023

Questão comentada de Medicina Veterinária

A presença de corpos estranhos em sistema digestório é bastante frequente e desafiadora na rotina clínico-cirúrgica de pequenos animais. Assinale a alternativa INCORRETA.

Gabarito: D

Corpos estranhos no trato digestório de pequenos animais costumam dar um quadro bem variável, porque tudo depende de onde está a obstrução, do que foi ingerido e se ela é parcial ou total. Em obstruções parciais, principalmente quando mais crônicas, o animal pode não vomitar o tempo todo e até parecer que “só” está comendo menos, emagrecendo e tendo má absorção, o que engana bastante na rotina clínica. Quando o corpo estranho está no estômago, o problema mais comum é dificultar o esvaziamento gástrico, então vômito vira um sinal bem esperado. Já no intestino, se a obstrução é total, o conteúdo não consegue seguir adiante e o segmento proximal tende a acumular líquido e gases, levando a distensão intestinal. Corpos estranhos lineares são clássicos por se prenderem em um ponto e fazerem o intestino se dobrar e preguear, como se o tubo fosse amassando ao redor do fio. A pegadinha da questão está na ideia de que obstruções mais distais são sempre mais graves e mais agudas. Na prática, a gravidade e a rapidez dos sinais dependem muito mais do grau de obstrução, do tempo de evolução e da viabilidade intestinal do que apenas da posição. Muitas obstruções proximais, por exemplo, podem causar vômitos intensos e desidratação rapidamente, enquanto algumas distais evoluem de forma mais arrastada. Por isso, a alternativa D está incorreta: a localização distal não significa, por si só, sinais mais graves e agudos. Em clínica cirúrgica, localização ajuda, mas não faz milagre sozinha - o quadro tem que ser interpretado junto com intensidade da obstrução, sinais sistêmicos e tempo de evolução.

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