A presença de corpos estranhos em sistema digestório é bastante frequente e desafiadora na rotina clínico-cirúrgica de pequenos animais. Assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Os sinais clínicos são variáveis, conforme a localização e tipo de obstrução. Obstruções parciais crônicas muitas vezes têm como principal sinal a mal absorção, com o paciente apresentando diminuição intermitente do apetite e perda de peso.
Está correta, porque obstruções parciais crônicas podem causar sinais inespecíficos como redução de apetite, perda de peso e má absorção.
- B)Corpos estranhos gástricos normalmente cursam com vômitos por obstrução do esvaziamento gástrico.
Está correta, porque corpos estranhos gástricos frequentemente impedem o esvaziamento do estômago e desencadeiam vômitos.
- C)Corpo estranho intestinal com obstrução total causam distensão intestinal devido ao acúmulo de gases na porção proximal à obstrução.
Está correta, porque a obstrução total faz acumular gases e conteúdo na porção intestinal proximal, gerando distensão.
- D)Obstruções intestinais mais distais tendem a ter sinais mais graves e agudos.
Está errada, porque a gravidade e a agudeza dos sinais não dependem apenas de a obstrução ser mais distal.
- E)Corpos estranhos lineares fazem um ponto de ancoragem, e o restante do corpo estranho progride causando pregueamento e obstrução intestinal.
Está correta, porque corpos estranhos lineares fixam um ponto e o restante provoca pregueamento e obstrução intestinal.
Gabarito: D
Corpos estranhos no trato digestório de pequenos animais costumam dar um quadro bem variável, porque tudo depende de onde está a obstrução, do que foi ingerido e se ela é parcial ou total. Em obstruções parciais, principalmente quando mais crônicas, o animal pode não vomitar o tempo todo e até parecer que “só” está comendo menos, emagrecendo e tendo má absorção, o que engana bastante na rotina clínica. Quando o corpo estranho está no estômago, o problema mais comum é dificultar o esvaziamento gástrico, então vômito vira um sinal bem esperado. Já no intestino, se a obstrução é total, o conteúdo não consegue seguir adiante e o segmento proximal tende a acumular líquido e gases, levando a distensão intestinal. Corpos estranhos lineares são clássicos por se prenderem em um ponto e fazerem o intestino se dobrar e preguear, como se o tubo fosse amassando ao redor do fio. A pegadinha da questão está na ideia de que obstruções mais distais são sempre mais graves e mais agudas. Na prática, a gravidade e a rapidez dos sinais dependem muito mais do grau de obstrução, do tempo de evolução e da viabilidade intestinal do que apenas da posição. Muitas obstruções proximais, por exemplo, podem causar vômitos intensos e desidratação rapidamente, enquanto algumas distais evoluem de forma mais arrastada. Por isso, a alternativa D está incorreta: a localização distal não significa, por si só, sinais mais graves e agudos. Em clínica cirúrgica, localização ajuda, mas não faz milagre sozinha - o quadro tem que ser interpretado junto com intensidade da obstrução, sinais sistêmicos e tempo de evolução.