O controle de verminoses nos rebanhos de caprinos e ovinos pode ser desafiador, pois não se pode usar medicamentos de modo indiscriminado por conta do risco de se desenvolver resistência anti-helmíntica a esses antiparasitários. Sobre o uso recomendado de antiparasitários, assinale a afirmativa correta.
- A)O grupo químico dos antiparasitários deve ser trocado antes de completar um ano de uso.
Errada, porque a troca de princípio ativo ou grupo químico deve ser orientada por eficácia e resistência detectada, não por uma regra fixa de tempo.
- B)A aplicação de antiparasitários deve ser sempre feita em todo o rebanho.
Errada, porque vermifugar todo o rebanho de forma indiscriminada aumenta a pressão seletiva e favorece resistência anti-helmíntica.
- C)As fêmeas no terço inicial da prenhez devem ser tratadas com antiparasitários de modo prioritário.
Errada, porque o tratamento deve ser baseado em necessidade clínica e manejo sanitário, e não existe prioridade automática para fêmeas no terço inicial da prenhez.
- D)Animais que apresentam sinais aparentes de verminose devem ser descartados, não podendo ser tratados.
Errada, porque animais com verminose devem ser avaliados e tratados quando indicado, não descartados como conduta padrão.
- E)Os animais comprados devem ser tratados com antiparasitários antes de serem incorporados ao rebanho.
Certa, porque animais recém-comprados podem introduzir parasitas e cepas resistentes no rebanho, devendo ser tratados antes da incorporação.
Gabarito: E
No controle de verminoses em caprinos e ovinos, a ideia central não é sair medicando o rebanho inteiro como se fosse festa de pijama do parasita. O uso racional de antiparasitários busca reduzir a pressão de seleção e, assim, diminuir o surgimento de resistência anti-helmíntica, que é um problema muito comum nesses pequenos ruminantes. Por isso, hoje se valoriza tratamento seletivo, baseado em critérios como exame clínico, escore corporal, exame de fezes e avaliação do rebanho, em vez de vermifugação indiscriminada. A alternativa correta é a que orienta tratar os animais recém-adquiridos antes de sua incorporação ao rebanho. Isso é importante porque o animal comprado pode chegar já infectado e, pior, pode trazer parasitas resistentes para a propriedade. Então, além de proteger o plantel, essa medida ajuda a evitar a introdução de cepas resistentes no sistema produtivo. As demais opções destoam do manejo recomendado. Trocar o grupo químico "por calendário" não é a lógica ideal, porque a decisão deve ser guiada por eficácia e monitoramento. Também não se indica tratar sempre todo o rebanho, nem priorizar fêmeas no início da gestação sem uma indicação técnica clara, muito menos descartar animais doentes em vez de tratá-los quando o tratamento é possível. Em provas da FGV, a ideia costuma ser cobrar exatamente esse raciocínio de manejo sanitário: prevenção da resistência, tratamento seletivo e biossegurança na entrada de animais novos.