O manejo animal realizado de maneira inadequada pode torná-los mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças. Um exemplo disso é o deslocamento de abomaso. Sobre o deslocamento de abomaso em bovinos, é correto afirmar que
- A)ao exame clínico, podem ser observados sons metálicos claros na auscultação/ percussão.
Certa: a auscultação/percussão pode revelar sons metálicos claros, o clássico 'ping' do deslocamento de abomaso.
- B)é mais comum em gado de corte do que em rebanho leiteiro.
Errada: a afecção é mais comum em vacas leiteiras, especialmente no pós-parto, do que em gado de corte.
- C)o deslocamento de abomaso à direita é o desvio mais visto.
Errada: o desvio mais frequente é para a esquerda, e não para a direita.
- D)a causa principal do deslocamento de abomaso é o excesso de fibras na dieta.
Errada: a principal associação é com baixa ingestão de matéria seca e dieta energética inadequada, não com excesso de fibras.
- E)o tratamento é feito por mudanças na dieta, evitando-se o tratamento cirúrgico.
Errada: o tratamento nem sempre é apenas dietético; em muitos casos, a correção cirúrgica ou mecânica é necessária.
Gabarito: A
O deslocamento de abomaso é uma afecção muito lembrada em bovinos leiteiros, especialmente no pós-parto, quando o animal tem queda de consumo, balanço energético negativo e alteração da motilidade do trato digestivo. Em vez de o abomaso ficar bem “no lugar dele”, ele se desloca, geralmente para a esquerda, embora também possa ocorrer à direita. Isso atrapalha a digestão e pode levar a redução de apetite, queda de produção de leite e emagrecimento. No exame clínico, um achado bem característico é a presença de sons metálicos, como um “ping”, à auscultação e percussão simultâneas do abdome. Esse som aparece porque há gás e líquido em uma alça deslocada, funcionando como uma espécie de tambor improvisado. É um achado clássico e muito cobrado em prova. A questão fica correta na alternativa A porque esse sinal semiológico é realmente compatível com deslocamento de abomaso. Na prática, o diagnóstico combina exame clínico, auscultação-percussão e, em alguns casos, confirmação por ultrassonografia. O tratamento pode variar de reposição cirúrgica a técnicas de correção e manejo, dependendo do caso e da gravidade. Vale lembrar: não é um problema de excesso de fibra, nem algo mais comum em gado de corte. O cenário típico é o leiteiro, no pós-parto, com dieta e manejo que favorecem a disfunção digestiva. Ou seja, quando a banca fala em “ping” no flanco, acenda a luz amarela do deslocamento de abomaso.