A hemorragia e a perda de líquidos são causas habituais de choque em pacientes na medicina veterinária. O fator mais crítico na fisiopatologia do choque hipovolêmico em animais é
- A)o aumento da resistência vascular periférica.
Errada, porque o aumento da resistência vascular periférica é uma resposta compensatória ao choque, e não o fator mais crítico da sua fisiopatologia.
- B)a diminuição da frequência cardíaca.
Errada, porque no choque hipovolêmico a tendência inicial é haver taquicardia, não diminuição da frequência cardíaca.
- C)o aumento da contratilidade cardíaca.
Errada, porque o aumento da contratilidade cardíaca pode ocorrer como mecanismo compensatório, mas não é o evento central do choque hipovolêmico.
- D)a diminuição do retorno venoso.
Certa, porque a perda de volume reduz o retorno venoso, diminuindo o enchimento cardíaco e o débito cardíaco.
- E)o aumento da produção de eritrócitos.
Errada, porque o aumento da produção de eritrócitos não é uma resposta aguda ao choque e não explica a fisiopatologia imediata do quadro.
Gabarito: D
No choque hipovolêmico, o problema central é simples de entender: falta volume circulando dentro dos vasos. Se o animal perde sangue ou líquidos, cai a quantidade de sangue efetivamente disponível para perfundir os tecidos. A resposta do organismo tenta compensar com vasoconstrição e aumento da frequência cardíaca, mas isso nem sempre resolve o quadro. O ponto mais crítico da fisiopatologia é a queda do retorno venoso. Com menos volume intravascular, menos sangue chega ao coração, o enchimento ventricular diminui e o débito cardíaco despenca. Resultado: a perfusão tecidual piora, a pressão arterial cai e o choque se instala ou se agrava. Por isso, o gabarito é a letra D. Em outras palavras, o coração até pode estar estruturalmente capaz de bombear, mas ele está recebendo menos sangue para trabalhar. É como tentar encher um balde com um fio de água: o problema não é a força do balde, e sim o que está chegando até ele. Na prática clínica veterinária, reconhecer isso é essencial porque o tratamento mira justamente restaurar volume circulante com fluidoterapia e, quando necessário, controlar a causa da perda sanguínea. O raciocínio da prova quer que você foque na fisiologia do choque hipovolêmico, não nas respostas compensatórias do organismo.