A esporotricose é uma doença fúngica causada pelo complexo Sporothrix spp. de grande importância em saúde pública, uma vez que afeta não apenas animais domésticos como também o homem. Sobre o diagnóstico da esporotricose, é correto afirmar que
- A)o material ideal a ser coletado para o diagnóstico é a urina.
Errada, porque a urina não é o material ideal para diagnóstico de esporotricose, que geralmente envolve amostras de lesões cutâneas ou exsudatos.
- B)o exame de cultivo fúngico deve ser feito a 25ºC e a 37ºC.
Certa, pois o cultivo deve ser feito a 25ºC e a 37ºC para demonstrar o dimorfismo do Sporothrix spp.
- C)o fungo apresenta a forma micelial ao exame microscópico direto
Errada, porque no exame microscópico direto a forma observada não é a micelial, e esse exame isolado costuma ter baixa sensibilidade.
- D)o exame microscópico deve ser feito pela coloração de giemsa, pois a técnica de gram não permite a visualização do Sporothrix.
Errada, porque a técnica de Gram pode não ser a melhor para evidenciar o agente, mas a afirmação generaliza e não torna a Giemsa obrigatória nem única.
- E)a microscopia direta fornece o diagnóstico definitivo para a esporotricose.
Errada, porque a microscopia direta não fornece diagnóstico definitivo da esporotricose; a confirmação costuma depender de cultivo e identificação do fungo.
Gabarito: B
A esporotricose é uma micose causada por fungos do complexo Sporothrix spp. e, na prática, o diagnóstico não depende de um único truque de laboratório. O ideal é pensar no conjunto: lesão compatível, coleta adequada e confirmação por cultura fúngica. Como o Sporothrix é um fungo dimórfico, ele muda de forma conforme a temperatura. Em temperatura ambiente, por volta de 25ºC, cresce na forma micelial; já em 37ºC, assume a forma de levedura. Por isso, o cultivo em duas temperaturas é importante para demonstrar esse comportamento típico e ajudar na identificação correta. No exame direto, a visualização costuma ser difícil e não fecha diagnóstico sozinha. Em geral, o material é obtido de lesões cutâneas, exsudato, aspirado ou fragmento de tecido, e não de urina. A coloração de Giemsa pode até ajudar em algumas amostras citológicas, mas não substitui o cultivo e a identificação laboratorial. Assim, o gabarito B está correto porque o cultivo fúngico deve ser realizado tanto a 25ºC quanto a 37ºC justamente para evidenciar o dimorfismo do agente. É o tipo de detalhe que a FGV gosta: parece simples, mas cobra a lógica biológica do fungo.