A morte pré-natal do embrião ou feto contribui de modo significativo para a diminuição de fertilidade nos animais de produção. Sobre as consequências da morte fetal, é correto afirmar que
- A)um feto que morreu no primeiro terço da gestação sofre um processo de mudança conhecido como mumificação.
Errada, porque mumificação não ocorre no primeiro terço da gestação; em geral ela aparece após formação fetal mais avançada, com feto desidratado e preservado, não apenas por morte precoce.
- B)a mumificação é um processo séptico de involução do feto, por isso seu prognóstico de futura fertilidade é sempre negativo.
Errada, porque a mumificação é um processo asséptico, não séptico, e não implica prognóstico sempre negativo para a fertilidade.
- C)em vacas com feto morto e retido no útero em processo de putrefação ou enfisematoso, o tratamento é sempre e tração do feto.
Errada, porque tração do feto não é tratamento sempre indicado; em casos de putrefação ou enfisema fetal, a conduta depende da espécie e da condição clínica, podendo exigir outras medidas.
- D)a maceração fetal consiste num processo séptico de destruição do feto morto retido no útero depois de 3 meses de gestação.
Certa, porque maceração fetal é um processo séptico de destruição do feto morto retido no útero, tipicamente após alguns meses de gestação.
- E)a maceração fetal é uma condição difícil de ser percebida, pois a sintomatologia costuma ser imperceptível.
Errada, porque a maceração costuma gerar sinais clínicos e achados uterinos mais evidentes, não sendo uma condição necessariamente imperceptível.
Gabarito: D
A morte pré-natal do embrião ou feto pode se apresentar de formas bem diferentes, dependendo do tempo de gestação e do que acontece com o material retido no útero. Em veterinária, dois termos caem muito em prova: mumificação e maceração fetal. A primeira ocorre, em geral, quando o feto morre e o ambiente uterino permanece estéril, sem infecção bacteriana importante, levando à desidratação e à conservação do feto. Já a maceração acontece quando há infecção, com destruição do feto dentro do útero, liberando tecidos em decomposição. Por isso, a ideia central da questão é distinguir processo asséptico de processo séptico. A mumificação não é uma infecção, e a maceração sim. Em regra, a mumificação é vista mais em ruminantes, especialmente bovinos, e costuma ocorrer após a formação do esqueleto fetal, ou seja, depois de cerca de 3 meses de gestação. Já a maceração fetal aparece quando o feto morto fica retido e sofre ação bacteriana, com putrefação dos tecidos. O gabarito é a letra D porque descreve corretamente a maceração fetal como um processo séptico de destruição do feto morto retido no útero após cerca de 3 meses de gestação. É exatamente o tipo de definição que banca adora trocar por palavras parecidas, então vale decorar o contraste: mumificação = conservação por desidratação; maceração = destruição por infecção. Em termos práticos, a conduta e o prognóstico variam conforme a espécie, o estágio gestacional e a presença de infecção. Não existe regra de que toda morte fetal signifique infertilidade definitiva. O raciocínio certo é identificar o tipo de alteração e a evolução clínica, sem cair na armadilha de achar que todo feto morto vira a mesma coisa.