Acerca da semiologia veterinária e das técnicas de exame clínico, analise a seguinte situação clínica e escolha a alternativa que melhor descreve o diagnóstico diferencial: Situação-problema: "Um canino de porte médio, três anos de idade, é levado à consulta com histórico de apatia, hiporexia e febre persistente. O exame físico revela linfadenomegalia generalizada, esplenomegalia e mucosas pálidas. Os exames complementares demonstram anemia normocítica normocrômica e leucocitose com desvio à esquerda. O tutor relata viagens frequentes com o animal a regiões endêmicas de leishmaniose visceral."
- A)O quadro clínico sugere hemoparasitose por Babesia canis, devendo-se realizar esfregaço sanguíneo e PCR para confirmação diagnóstica.
Errada, porque Babesia canis costuma causar principalmente hemólise e alterações compatíveis com hemoparasitose, mas o conjunto linfadenomegalia generalizada, esplenomegalia e o contexto epidemiológico favorecem outras hipóteses.
- B)A esplenomegalia e a linfadenomegalia são características patognomônicas de leishmaniose visceral canina, sendo desnecessários exames confirmatórios adicionais.
Errada, porque linfadenomegalia e esplenomegalia não são patognomônicas de leishmaniose e sempre exigem confirmação laboratorial, já que também ocorrem em outras doenças infecciosas e neoplásicas.
- C)O diagnóstico deve incluir erliquiose monocítica, linfoma multicêntrico e leishmaniose visceral, sendo recomendada a realização de sorologia por ELISA e aspirado de linfonodo.
Certa, porque o quadro pede diagnóstico diferencial com erliquiose, linfoma e leishmaniose visceral, e a confirmação pode ser feita com ELISA e citologia/aspirado de linfonodo.
- D)A anemia normocítica normocrômica descarta a possibilidade de parasitose, indicando doença autoimune sistêmica como principal hipótese diagnóstica.
Errada, porque anemia normocítica normocrômica não afasta parasitose nem infecção crônica; ao contrário, é um padrão frequente em doenças sistêmicas inflamatorias.
- E)A febre e a leucocitose com desvio à esquerda apontam para infecção bacteriana generalizada, exigindo hemocultura como exame prioritário.
Errada, porque febre e leucocitose com desvio à esquerda indicam inflamação/infeção, mas não fecham infecção bacteriana generalizada, e o quadro clínico e epidemiológico aponta para diagnósticos mais amplos.
Gabarito: C
A questão mistura semiologia com raciocínio clínico. Quando voce vê um cão com apatia, febre persistente, hiporexia, linfadenomegalia generalizada, esplenomegalia e mucosas pálidas, o alarme acende para doença infecciosa sistêmica ou neoplásica, e não para um achismo isolado. O detalhe das viagens a áreas endêmicas de leishmaniose visceral pesa muito no diagnóstico diferencial, porque a leishmaniose canina costuma dar exatamente esse pacote: sinais inespecíficos, aumento de linfonodos, baço aumentado e anemia. Os exames laboratoriais também ajudam a montar o quebra-cabeça. A anemia normocítica normocrômica é comum em doenças crônicas/inflamatórias, como a leishmaniose, e a leucocitose com desvio à esquerda sugere processo inflamatório/infeccioso em atividade. Na prática, isso obriga voce a pensar em diagnósticos diferenciais como erliquiose monocítica, linfoma multicêntrico e leishmaniose visceral, porque todos podem cursar com linfadenomegalia, esplenomegalia e alterações hematológicas parecidas. Por isso o gabarito é a letra C: ela traz exatamente a abordagem correta, isto é, ampliar o diagnóstico diferencial e confirmar com exames complementares, como sorologia por ELISA e aspirado de linfonodo. Em semiologia veterinária, não existe truque mágico nem patognomonia barata aqui: o exame clínico aponta a suspeita, mas a confirmação depende de teste laboratorial e, quando indicado, citologia/visualização do agente. As demais alternativas exageram ou simplificam demais o quadro. Em prova, desconfie de expressões como "patognomônico" e de conclusões absolutas com base em um único achado clínico. O bom raciocínio semiológico é mais Sherlock do que chute.