Os acidentes ofídicos têm provocado problemas médicos e médico-veterinários significativos no Brasil, em decorrência da grande incidência e da alta toxicidade dos venenos das serpentes encontradas no território nacional. Em relação a esse assunto e aos aspectos pertinentes a ele, assinale a opção correta.
- A)O diagnóstico de envenenamento ofídico é eminentemente por meio de exames laboratoriais, visto que a apresentação clínico-epidemiológica não possui valor ou pertinência relevante para o imediato diagnóstico.
Errada, porque o diagnóstico do acidente ofídico é прежде de tudo clínico-epidemiológico, e não depende exclusivamente de exames laboratoriais.
- B)O único tratamento eficiente para casos de acidente ofídico botrópico é pelo uso da soroterapia, principalmente, com soro antibotrópico ou antibotrópico-crotálico.
Certa, porque no acidente botrópico o tratamento específico e eficaz é a soroterapia com soro antibotrópico ou antibotrópico-crotálico, além do suporte clínico.
- C)Diferentemente do que ocorre em humanos, a principal incidência de acidentes ofídicos na medicina veterinária envolve peçonhas do gênero Lachesis e Micrurus.
Errada, porque os acidentes ofídicos mais comuns na medicina veterinária brasileira não são de Lachesis e Micrurus, e sim principalmente de Bothrops.
- D)Os animais acidentados por peçonhas do gênero botrópico apresentam transtornos de locomoção, fasciculações musculares, flacidez de musculatura, insuficiência respiratória e depressão neurológica grave.
Errada, porque fasciculações, flacidez e insuficiência respiratória são mais compatíveis com envenenamento neurotóxico, não com o quadro botrópico.
- E)No Brasil, a grande maioria dos acidentes ofídicos por botrópicos resulta em óbito, sendo 85% dos casos humanos e mais de 96% dos registrados envolvendo animais hospitalizados.
Errada, porque os acidentes botrópicos não resultam na grande maioria em óbito; pelo contrário, são frequentes, mas a letalidade não é essa e varia conforme atendimento e gravidade.
Gabarito: B
Nos acidentes ofídicos, o diagnóstico costuma ser clínico-epidemiológico, com base na identificação da serpente, no local do acidente e nas manifestações apresentadas pelo animal. Exames laboratoriais podem ajudar, mas não são a primeira chave do caso, porque o tempo conta muito. Na prática, o veterinário precisa reconhecer o padrão do envenenamento e agir rápido, sem ficar esperando o laboratório fazer drama de suspense. No Brasil, os acidentes botrópicos, causados por serpentes do gênero Bothrops, são os mais frequentes e costumam provocar dor, edema, sangramento, necrose e alterações de coagulação. O tratamento específico é a soroterapia, com soro antibotrópico ou antibotrópico-crotálico, conforme a indicação clínica e a disponibilidade do produto. É isso que torna a alternativa B correta: o soro é o único tratamento realmente eficaz para neutralizar o veneno, embora o atendimento de suporte também seja importante. As demais alternativas erram o alvo ao trocar o quadro clínico típico de cada gênero de serpente ou ao exagerar a gravidade e a mortalidade. Em medicina veterinária, o raciocínio é o mesmo da medicina humana: conhecer a espécie envolvida, entender o efeito do veneno e iniciar o antiveneno o quanto antes. Na prática brasileira, isso segue as orientações do Ministério da Saúde e da veterinária clínica de urgência.