A manutenção de animais selvagens em cativeiro é uma prática bastante observada na atualidade, particularmente porque o cativeiro vem se tornando cada vez mais um recurso necessário para a conservação de espécies ameaçadas de extinção. Geralmente, as condições restritivas e inadequadas de manejo e nutrição presentes fazem que os animais estejam constantemente submetidos à situação de estresse, afetando sua higidez. No que se refere a mecanismos envolvidos no estresse, bem como a aspectos fisiopatológicos desse processo, assinale a opção correta.
- A)Também conhecidos como “estressores”, os agentes de estresse para os animais dividem-se em apenas dois grupos de agentes: físicos e químicos.
Errada, porque os estressores não se limitam a agentes físicos e químicos; também podem ser biológicos, sociais e psicológicos.
- B)Na fisiopatogenia do estresse, o termo “eustresse” diz respeito às condições de estresse contínuo, que causam efeitos prejudiciais ao organismo, especialmente decorrido extenso período (crônico).
Errada, porque eustresse é o estresse benéfico ou adaptativo, enquanto a descrição dada corresponde ao distress, que é o estresse prejudicial.
- C)Os “estressores” podem causar estresse tanto em animais de vida livre como naqueles mantidos em cativeiro. Neste último, o confinamento intensifica a resposta e isso ocorre porque o animal se encontra em situação de adaptação persistente, principalmente se não existir possibilidade de fuga do ambiente que o incomoda.
Certa, pois o estresse pode ocorrer em vida livre e em cativeiro, e a impossibilidade de fuga no confinamento intensifica a resposta ao agente estressor.
- D)Apesar da crença atual, o cativeiro é um ambiente muito estimulante, pois, quando preparado por profissionais e respeitadas as peculiaridades do animal, simula todos os estímulos encontrados na natureza, reduzindo o estresse no organismo do animal.
Errada, porque um cativeiro bem manejado pode reduzir, mas não elimina nem reproduz todos os estímulos naturais do ambiente, e isso não autoriza dizer que ele seja sempre muito estimulante.
- E)A síndrome geral da adaptação é o conjunto de respostas fisiológicas desencadeadas frente a um agente estressor e pode ser dividida em dois estágios que se diferenciam em decorrência da gravidade: a fase cortisólica, que representa a descarga hormonal inicial do estresse; e a fase aldosterônica, que representa a fase de instalação de alterações como hiperglicemia sustentada ou hipertensão.
Errada, porque a síndrome geral da adaptação tem fases clássicas de alarme, resistência e exaustão, não fases cortisólica e aldosterônica.
Gabarito: C
O estresse é a resposta do organismo diante de um agente estressor, isto é, qualquer situação que desafie o equilíbrio do animal. Em medicina veterinária, isso vale tanto para animais de vida livre quanto para os mantidos em cativeiro: frio, fome, dor, manejo inadequado, ruído, contenção e falta de fuga podem disparar a resposta de estresse. Quando o animal não consegue escapar do estímulo aversivo, a reação tende a ficar mais intensa e prolongada, o que piora o bem-estar e pode comprometer a higidez. Na fisiopatologia, o estresse envolve ativação neuroendócrina, especialmente do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e do sistema simpático, com liberação de catecolaminas e corticosteroides. Se o estímulo é passageiro e o animal consegue se adaptar, o efeito pode ser limitado. Se o estímulo é contínuo, surgem desgaste orgânico, imunossupressão, alterações metabólicas e comportamentais. É justamente por isso que a letra C está correta: animais selvagens em cativeiro também sofrem estresse, e o confinamento pode intensificar essa resposta, principalmente quando não há possibilidade de fuga do ambiente desagradável. O texto descreve bem a ideia de adaptação persistente sob pressão, que é um ponto clássico em bem-estar animal. As demais alternativas trocam conceitos básicos. Em prova, a banca gosta de misturar estresse com categorias erradas de estressores e com termos da síndrome geral de adaptação. Então, além de saber o conceito, você precisa reconhecer que cativeiro não é sinônimo de ausência de estresse, mesmo quando há boa intenção de manejo.