No que se refere à medicina veterinária preventiva e saúde pública, em relação às medidas adotadas no Brasil para a mitigação do risco de disseminação do agente etiológico da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), assinale a opção correta.
- A)Quando submetidas à temperatura de 133 ºC, por, no mínimo, 20 minutos, em uma pressão de 3 atmosferas, farinhas de carne e ossos de origem animal podem ser utilizadas na produção de alimentos para ruminantes.
Errada, porque farinhas de carne e ossos de origem animal não podem ser usadas na alimentação de ruminantes como regra de mitigação da EEB.
- B)No Brasil, quando submetidas à temperatura de 133 ºC, por, no mínimo, 20 minutos, em uma pressão de 3 atmosferas, camas de frango podem ser utilizadas para alimentação de bovinos.
Errada, porque cama de frango não pode ser usada para alimentar bovinos, mesmo com tratamento térmico, diante das restrições sanitárias para ruminantes.
- C)Materiais de risco específico para EEB devem ser integralmente destinados à produção de farinhas de origem animal.
Errada, porque materiais de risco específico para EEB devem ser descartados conforme a norma sanitária, e não destinados à produção de farinhas de origem animal.
- D)A vacinação contra a EEB é obrigatória para bovinos e bubalinos acima de 2 anos de idade.
Errada, porque não existe vacinação obrigatória contra EEB para bovinos e bubalinos; o controle é feito por medidas sanitárias e de प्रतिबição de materiais de risco.
- E)A fabricação, na mesma planta, de produtos destinados à alimentação de ruminantes e de não ruminantes é permitida no Brasil para estabelecimentos que possuam linhas separadas desde a recepção dos ingredientes ou matérias-primas até sua entrada no misturador, sem prejuízo de outras exigências legais.
Certa, porque a produção na mesma planta é permitida se houver linhas separadas desde a recepção das matérias-primas até o misturador, além de outras exigências legais.
Gabarito: E
A EEB, ou doença da vaca louca, é uma zoonose de interesse sanitário porque o agente causal é um príon, extremamente resistente e sem tratamento curativo. Por isso, o Brasil adotou regras bem rígidas para evitar a reciclagem do agente na cadeia alimentar, especialmente proibindo o uso de materiais de risco na alimentação de ruminantes. Na prática, a lógica é simples: o que pode conter tecido de risco não pode voltar para ruminante como se nada tivesse acontecido. A legislação brasileira, alinhada às normas do MAPA e ao controle sanitário da alimentação animal, impõe separação de produção, restrições de matéria-prima e destinação adequada de subprodutos de origem animal. É um caso clássico em que a prevenção vale muito mais do que qualquer tentativa de remediar depois. A alternativa E está correta porque a fabricação, na mesma planta, de produtos para ruminantes e para não ruminantes é admitida, desde que existam linhas separadas desde a recepção dos ingredientes ou matérias-primas até a entrada no misturador, além de outras exigências legais. Essa é justamente a estratégia para evitar contaminação cruzada com ingredientes proibidos para ruminantes. As demais opções escorregam em pontos importantes: algumas tentam liberar para ruminantes o que é vedado, outras falam em vacinação contra EEB, o que não existe como medida rotineira de controle. Em EEB, o foco é bloquear a transmissão e impedir o reaproveitamento indevido de materiais de risco, não vacinar.