Sabemos ser crescente o número de casos de mortes violentas de crianças. Em relação às necropsias em menores de idade, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Havendo suspeita de maus tratos é fundamental correlacionar os achados macroscópicos com possíveis patologias comuns às crianças.
Correta, porque na suspeita de maus-tratos é essencial diferenciar lesões traumáticas de patologias pediátricas que podem mimetizar abuso.
- B)Devem ser realizados exames de imagem para buscar fraturas.
Correta, pois os exames de imagem ajudam a detectar fraturas ocultas e lesões não aparentes na inspeção externa.
- C)As vísceras devem ser retiradas em bloco para verificação de hemorragias retroperitoniais e para melhor avaliação do gradil costal em busca de fraturas.
Correta, já que a retirada em bloco facilita a pesquisa de hemorragias retroperitoneais e a avaliação de fraturas do gradil costal.
- D)Se a necropsia não for esclarecedora, devem ser enviadas vísceras para estudo histopatológico.
Correta, porque o estudo histopatológico é indicado quando a necropsia macroscópica não esclarece a causa da morte.
- E)Não há diferença entre a necropsia da criança e do adulto.
Errada, pois a necropsia de criança tem particularidades anatômicas, fisiológicas e investigativas que a tornam diferente da necropsia do adulto.
Gabarito: E
Na necropsia de menores de idade, principalmente quando há suspeita de maus-tratos, a abordagem precisa ser mais cuidadosa e mais ampla do que no adulto. A criança não é um adulto em miniatura: o esqueleto ainda está em desenvolvimento, há centros de ossificação em formação, maior fragilidade óssea e um repertório de doenças próprias da infância que podem simular trauma ou mascarar violência. Por isso, em casos suspeitos, o perito deve correlacionar os achados macroscópicos com doenças comuns na faixa etária, pedir exames de imagem quando necessário e, se a necropsia não esclarecer a causa da morte, encaminhar material para histopatologia. Em situações de violência, a investigação precisa olhar além do óbvio, porque hemorragias, fraturas e lesões internas podem ser discretas ou difíceis de ver a olho nu. Também é correto o cuidado com a retirada das vísceras em bloco em certos contextos, pois isso facilita a pesquisa de hemorragias retroperitoneais e a avaliação do arcabouço costal em busca de fraturas. Isso é especialmente útil quando a suspeita é de agressão, asfixia ou trauma oculto. O ponto central da questão é que a necropsia da criança não é igual à do adulto. A técnica, a interpretação dos achados e até a lista de hipóteses diagnósticas mudam bastante. Na Medicina Legal, a criança exige olhar clínico-pericial mais atento, porque os sinais de violência podem ser mais sutis e os falsos diagnósticos, mais fáceis de acontecer.