A dissecação tem como princípio cortar algo separando seus cortes de forma metódica e organizada. Em relação à sequência CORRETA de uma dissecação cuidadosa das paredes externas da caixa torácica, podemos afirmar que se deve:
- A)incialmente remover as costelas, seguida pela remoção de serosa e das fáscias abdominais.
Errada, porque a retirada das costelas não vem antes da exposição adequada dos planos superficiais e ainda mistura estruturas torácicas com serosa e fáscias abdominais.
- B)realizar incisões profundas e remover conjuntamente todas as estruturas moles que se fixam na caixa toráxica óssea.
Errada, pois incisões profundas e remoção conjunta de todas as estruturas moles são inadequadas para uma dissecação cuidadosa e organizada.
- C)remover conjuntamente a pele e os músculos e, em seguida, remover as estruturas ósseas da caixa torácica.
Errada, porque a ordem proposta é imprecisa e agressiva demais, já que não se deve remover pele e músculos de forma conjunta antes de preservar os planos anatômicos.
- D)remover inicialmente o osso esterno e, na sequência, remover a pele da caixa torácica e as fáscias abdominais.
Errada, pois o esterno não deve ser a primeira estrutura removida e a sequência indicada não respeita a dissecação em camadas da parede torácica.
- E)remover primeiro a pele do tronco, em seguida retirar a fáscia dos músculos que revestem a caixa torácica óssea para cuidadosamente expor a musculatura e não remover qualquer fáscia da parede abdominal anterior.
Certa, porque a dissecção começa pela pele do tronco e segue pela fáscia dos músculos da caixa torácica, preservando os planos anatômicos e sem interferir na parede abdominal anterior.
Gabarito: E
A questão cobra a lógica da dissecação cuidadosa da parede torácica: primeiro você expõe o que está mais superficial e depois vai avançando por planos, sem “atropelar” as estruturas. Em Medicina Legal, isso importa porque uma retirada desordenada pode destruir sinais importantes e atrapalhar a leitura das lesões e das relações anatômicas. Na parede externa da caixa torácica, a sequência correta é começar pela pele do tronco e, depois, ir retirando a fáscia dos músculos que revestem a caixa torácica óssea, expondo a musculatura com cuidado. A ideia é preservar os planos anatômicos e evitar cortes profundos desnecessários. Essa técnica é coerente com a doutrina tanatológica e com os manuais clássicos de necropsia, que preconizam abordagem metódica e progressiva das camadas. O ponto-chave aqui é que não se sai removendo ossos logo de cara, nem misturando estruturas da parede torácica com elementos da parede abdominal. Em necropsia, a regra prática é: abrir com critério, dissecar em camadas e respeitar a anatomia. Parece simples, mas é exatamente esse “passo a passo” que a banca gosta de cobrar. Por isso, a alternativa que descreve a remoção inicial da pele do tronco, seguida da retirada da fáscia dos músculos da caixa torácica, sem mexer na fáscia da parede abdominal anterior, é a correta.