Sobre a produção post-mortem de substâncias de interesse toxicológico, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A produção endógena de etanol pela Escherichia coli e pela Candida albicans pode ocorrer a partir do substrato glicose. ( ) A produção de espécies químicas nas matrizes biológicas pode ser inibida pela adição de fluoreto de sódio à amostra. ( ) O ácido gama-hidroxibutírico (GHB) pode ser produzido post-mortem em fluidos biológicos putrefeitos. As afirmativas são, respectivamente,
- A)V – V – V.
Correta, porque as três afirmativas estão de acordo com a toxicologia forense post-mortem.
- B)V – F – F.
Errada, pois a segunda e a terceira afirmativas não são falsas.
- C)F – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa não é falsa e a segunda também está correta.
- D)F – F – V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras.
- E)F – F – F.
Errada, pois nenhuma das três afirmativas é falsa.
Gabarito: A
A toxicologia forense não cuida só do que a pessoa ingeriu em vida: depois da morte, algumas substâncias podem surgir ou se alterar por ação de microrganismos e processos de putrefação. Por isso, ao analisar sangue, humor vítreo, urina ou outros fluidos, o perito precisa pensar em produção post-mortem, e não apenas em intoxicação prévia. No primeiro item, a ideia é correta: bactérias e fungos presentes no cadáver podem fermentar substratos como a glicose e gerar etanol endógeno, com destaque para microrganismos como Escherichia coli e Candida albicans. Isso é clássico em autópsia e serve como alerta para não confundir etanol produzido depois da morte com ingestão alcoólica antes do óbito. O segundo item também está certo. O fluoreto de sódio é usado como conservante em amostras biológicas justamente porque inibe a atividade enzimática e o metabolismo microbiano, reduzindo a formação de substâncias que poderiam aparecer na amostra após a coleta. Na prática, ele ajuda a segurar a “vida química” da amostra por mais tempo. O terceiro item igualmente é verdadeiro: o ácido gama-hidroxibutírico, ou GHB, pode ser formado post-mortem em fluidos biológicos putrefeitos. Isso é importante porque o GHB é um composto que pode aparecer por transformação cadavérica, então seu achado exige interpretação cautelosa para não atribuir de imediato a uma ingestão exógena. Assim, todas as afirmativas são verdadeiras, o que torna correta a alternativa A.