As lesões por projéteis de arma de fogo têm características específicas que permitem ao médico estimar a distância do disparo. Sobre os orifícios formados no corpo da vítima nesses casos, é correto afirmar que
- A)os orifícios de entrada têm forma arredondada, mas podem ser virados para fora (evertidas).
Errada, porque o orifício de entrada costuma ter bordas invertidas, não evertidas.
- B)os orifícios de saída têm bordas regulares.
Errada, porque o orifício de saída geralmente tem bordas irregulares, e não regulares.
- C)os orifícios de entrada têm bordas irregulares.
Errada, porque bordas irregulares são mais típicas do orifício de saída, enquanto a entrada tende a ser mais regular.
- D)o orifício de saída é maior que o de entrada.
Certa, porque, em regra, o orifício de saída é maior que o de entrada.
- E)o orifício de saída é sempre o dobro do orifício de entrada.
Errada, porque não existe regra de ser sempre o dobro; o tamanho varia conforme o caso concreto.
Gabarito: D
Em balística forense, o corpo costuma “contar a história” do disparo por meio das características dos orifícios de entrada e de saída. Em regra, o orifício de entrada tende a ser menor, mais regular, com bordas invertidas, e pode apresentar elementos como orla de enxugo e tatuagem por pólvora, dependendo da distância do tiro. Já o orifício de saída, em geral, sofre ação do projétil já deformado e da pressão exercida de dentro para fora, por isso costuma ser mais irregular e maior que o de entrada. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D: o orifício de saída é, normalmente, maior do que o orifício de entrada. Isso não significa que ele seja sempre maior em qualquer caso, porque há variáveis como tipo de projétil, elasticidade dos tecidos, trajetos tangenciais e impacto em ossos, mas essa é a regra ensinada na Medicina Legal e cobrada em prova. A lógica é simples: o projétil entra “organizando” o ferimento e sai “rasgando” mais o tecido, especialmente porque pode ter perdido estabilidade ao atravessar o corpo. Então, se a banca quiser te pegar, ela vai tentar trocar entrada por saída, ou dizer que a saída é regular e bonitinha. Em balística, quase nunca a cicatriz narrativa é tão educada assim. Na doutrina médico-legal clássica, a distinção entre entrada e saída leva em conta forma, bordas, halo de escoriação e sinais acessórios, sendo a maior dimensão do orifício de saída uma regra prática bastante consolidada.