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Medicina Legal · FGV · 2024

Questão comentada de Medicina Legal

No dia 15/11/2023, Nina compareceu à Delegacia de Polícia de Joinville para obter informações sobre o andamento das investigações acerca do homicídio da sua irmã, Andressa, ocorrido no dia anterior. Na mesma ocasião, prestou declarações agregando informações valiosas para o inquérito policial, pois soube que Andressa estaria grávida e teria desejado interromper a gestação em face do término do relacionamento com Fernando, suposto autor do crime. Cinco dias depois, o Delegado de Polícia responsável pelo caso recebeu o laudo pericial com informações sobre a ausência do feto, mas com dilatação do colo do útero e restos de vilosidades coriais no cadáver de Andressa. Acerca dessas informações, é correto afirmar que

Gabarito: D

Em Medicina Legal, aborto não é só a interrupção da gestação: interessa muito saber se ele foi recente ou antigo, porque isso muda totalmente a leitura pericial e a linha investigativa. No aborto recente, o exame pode mostrar sinais como colo do útero dilatado, restos ovulares ou placentários, sangramento e, em alguns casos, vestígios do concepto ainda identificáveis. Já no aborto antigo, esses achados tendem a desaparecer ou ficar bem menos evidentes. Neste caso, o laudo trouxe um conjunto bem sugestivo de aborto recente: ausência do feto, dilatação do colo do útero e restos de vilosidades coriais no cadáver. As vilosidades coriais são estruturas da placenta e indicam que houve produto da concepção, o que ajuda a confirmar a ocorrência de gestação e a sua interrupção recente. Por isso o gabarito é a letra D: mesmo que ainda existam exames complementares a serem feitos, o Delegado já consegue usar o laudo para direcionar a investigação para a hipótese de aborto recente. Em prova, a FGV gosta dessa lógica prática: o laudo não precisa fechar tudo para já ser útil, ele precisa trazer elementos objetivos que orientem a apuração. A doutrina médico-legal, ao tratar de aborto provocado ou espontâneo, diferencia sinais de recência e de antiguidade pela presença de restos ovulares, alterações do colo e outras evidências anatômicas. No processo penal, o laudo pericial é meio de prova técnico e serve justamente para iluminar a investigação, não para ficar guardado esperando perfeição absoluta.

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