Armas brancas podem produzir feridas de diferentes tipos, a depender da atuação de outros componentes. Quando a ferida é produzida por meio do deslizamento da lâmina sobre o tecido, seccionando vasos sanguíneos e causando hemorragia volumosa, ela é denominada
- A)contusa.
Errada, porque lesão contusa decorre de impacto/esmagamento, e não do deslizamento de lâmina com corte limpo.
- B)corto-contusa.
Errada, porque corto-contusa envolve corte associado a ação contundente, com maior esmagamento e irregularidade das bordas.
- C)perfuro-contusa.
Errada, porque perfuro-contusa é típica de instrumentos que perfuram e também causam contusão, como projéteis ou objetos de ponta com maior impacto.
- D)cortante.
Certa, pois a ferida cortante é produzida pelo deslizamento da lâmina sobre o tecido, com seccionamento de vasos e hemorragia intensa.
- E)perfurante.
Errada, porque lesão perfurante é causada sobretudo pela penetração em profundidade, e não pelo corte por deslizamento.
Gabarito: D
Na traumatologia forense, as armas brancas podem produzir lesões diferentes conforme o modo de ação da lâmina. Quando o instrumento age por pressão e deslizamento, o que predomina é o corte, com bordas regulares, pouca reação de esmagamento e sangramento que pode ser intenso, porque vasos são seccionados de forma limpa. É a clássica ferida incisa, típica de instrumento cortante. O ponto-chave da questão é justamente o deslizamento da lâmina sobre o tecido. Se a lâmina corta ao passar, sem perfurar e sem esmagar, você está diante de lesão cortante. Em doutrina médico-legal, esse padrão é descrito como ferida produzida por instrumento de gume, com bordas nítidas e, muitas vezes, comprimento maior que a profundidade. Por isso o gabarito é a letra D. A banca quer que você associe o mecanismo da lesão ao tipo de arma: deslizamento com seccionamento de vasos e hemorragia volumosa aponta para ferida cortante, e não para lesões perfurantes ou contusas. Na prática, é o tipo de corte que faz a prova parecer mais dramática do que um episódio de faca na cozinha, mas a lógica é essa mesma: gume deslizando e cortando. Não há um artigo de lei específico definindo essa classificação, porque ela é de natureza médico-legal e doutrinária. O essencial é memorizar o mecanismo de produção e as características morfológicas da lesão, que são o que a banca costuma cobrar.